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BH cria programa Cidade Esponja contra enchentes e alagamentos

Belo Horizonte passa a contar com uma política voltada à adoção de soluções sustentáveis para reduzir os impactos das chuvas intensas. A Prefeitura sancionou, nesta quinta-feira (3), a lei que cria o Programa de Implantação da Cidade Esponja, publicado no Diário Oficial do Município (DOM). A iniciativa pretende mudar a forma como a capital mineira lida com a água da chuva. Em vez de depender apenas dos sistemas tradicionais de drenagem, o programa incentiva estruturas capazes de absorver, armazenar, infiltrar, filtrar e até reutilizar a água.

A proposta ganha relevância especialmente durante o período chuvoso, quando pontos de Belo Horizonte costumam registrar alagamentos e inundações. Um dos exemplos é a região da avenida Vilarinho, na região de Venda Nova, que historicamente enfrenta problemas durante temporais. O conceito de cidade esponja busca fazer com que áreas urbanas tenham maior capacidade de absorver a água da chuva. Para isso, o programa prevê o uso de soluções baseadas na natureza e mecanismos que aumentem a permeabilidade do solo.

Assim, parte da água que normalmente escoaria rapidamente pelas ruas pode ser retida e infiltrada no próprio terreno. Com isso, a expectativa é reduzir a pressão sobre as galerias pluviais e diminuir o volume de água que chega de uma só vez aos sistemas de drenagem. Além de ajudar no controle de enchentes, a política pretende contribuir para a segurança hídrica de Belo Horizonte. Isso porque o aumento da infiltração pode favorecer o reabastecimento das águas subterrâneas. A lei também estabelece como objetivo melhorar a qualidade da água disponível para extração em aquíferos localizados em áreas urbanas e periurbanas.

Dessa maneira, a proposta não se limita à prevenção de alagamentos. Ela também busca fortalecer a infraestrutura ecológica da cidade e ampliar o aproveitamento natural da água da chuva. A legislação estabelece que o Poder Executivo deverá regulamentar as medidas previstas no programa. Portanto, a aplicação prática das soluções dependerá das regras que ainda serão definidas pela administração municipal.

O que esperar para os próximos meses

A regulamentação é o próximo passo para que o programa saia do papel. Moradores de regiões como Venda Nova, que convivem com alagamentos históricos, devem acompanhar as regras que serão publicadas pela administração municipal. A tendência é que as soluções priorizem áreas críticas e integrem projetos de drenagem urbana com espaços verdes. Sem prometer prazos, a expectativa é que a capital mineira reduza gradualmente os transtornos causados pelas chuvas intensas, com ganhos diretos para quem mora em áreas vulneráveis.

Sérgio Tadeu Mafra
Repórter de Economia Regional
De Uberlândia, cobre economia do Triângulo e agronegócio mineiro com dado na mão e linguagem clara.
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