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SUS conecta UTIs de seis capitais para monitorar pacientes à distância

ResumoO Programa SUS Digital conecta 60 leitos de UTI em seis capitais brasileiras a uma central de comando 24 horas. A plataforma monitora sinais vitais à distância e emite alertas automáticos para equipes médicas sobre risco de deterioração clínica. A iniciativa integra hospitais públicos selecionados e prevê expansão gradual para outras unidades e regiões do país.

O SUS passou a monitorar 60 leitos de UTI em seis capitais por uma central de comando que funciona 24h. A plataforma alerta equipes sobre sinais de piora. Conheça os hospitais e o plano de expansão.

Inácio Bicalho
Inácio Bicalho Repórter de Interior e Agro · 04 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
SUS conecta UTIs de seis capitais para monitorar pacientes à distância

O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a contar com uma central de comando para monitorar UTIs (unidades de terapia intensiva) à distância. A plataforma acompanha 60 leitos em seis capitais, 24 horas por dia, e pode alertar as equipes quando há sinais de piora dos pacientes.

A central fica no Núcleo de Inovação Tecnológica do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste de São Paulo. Nesta primeira fase, integram UTIs de hospitais públicos de Manaus, Recife, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre. O projeto funciona desde o fim de julho e foi apresentado nesta quinta-feira (3) em visita do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e da professora da Faculdade de Medicina da USP e coordenadora do projeto, Ludhmila Abrahão Hajjar.

As unidades participantes são o Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz (Manaus); o Hospital Universitário de Brasília; o Hospital das Clínicas da UFMG (Belo Horizonte); o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Recife); o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (Rio); e o Hospital Nossa Senhora da Conceição (Porto Alegre).

A equipe da central acompanha indicadores definidos previamente. Quando identifica uma alteração que merece atenção, checa outros dados do paciente e aciona os profissionais da UTI de origem, por telefone ou videoconferência. A decisão sobre a conduta permanece com quem está à beira do leito.

Numa mesma plataforma são reunidos dados de equipamentos de diferentes fabricantes: monitores cardíacos, ventiladores mecânicos e bombas de infusão. É possível visualizar pressão arterial, oximetria, frequência cardíaca, eletrocardiograma, parâmetros da ventilação mecânica e os medicamentos administrados.

Para Hajjar, a central funciona como uma camada adicional de monitoramento. A pressão arterial é um exemplo. Antes de um paciente entrar em choque circulatório, alterações na curva de pressão podem indicar que o quadro se deteriora, um padrão que o sistema pode identificar e levar à avaliação da equipe. Na ventilação mecânica, mudanças na respiração ou nos parâmetros do aparelho podem sinalizar risco de lesão pulmonar. Ao reunir os equipamentos, a plataforma permite analisar esses sinais em conjunto, e não apenas os alarmes disparados por cada máquina isoladamente.

A expectativa é que, com o acúmulo de dados das UTIs, seja possível usar inteligência artificial para identificar padrões associados à piora dos pacientes. As informações serão padronizadas e anonimizadas para definir quais alterações devem gerar alerta e quais casos precisam ser discutidos pelas equipes, de modo a antecipar complicações.

Segundo o Ministério da Saúde, o monitoramento mais de perto e conectado com profissionais da USP deve reduzir complicações e o tempo de internação, o que aumentaria a rotatividade dos leitos e ampliaria o acesso ao SUS.

Segundo Padilha, o projeto deve ser ampliado aos poucos. A previsão é chegar a 280 leitos integrados até o fim deste ano e a 1.000 no ano seguinte. Curitiba, Salvador, Fortaleza, Belém e Dourados, em Mato Grosso do Sul, estão entre as cidades previstas, ainda sem data para instalação.

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