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Rodrigo Balassiano encara novo desafio no mercado

ResumoRodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, assume novo desafio no mercado financeiro com a missão de sustentar a escala de mais de 550 fundos e R$ 50 bilhões sob administração e custódia. A prioridade deixa de ser o crescimento e passa a ser a governança e a tecnologia como pilares para manter a operação.

Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, encara novo desafio no mercado financeiro: com mais de 550 fundos e R$ 50 bilhões sob administração e custódia, a prioridade deixa de ser crescer e passa a ser sustentar a escala com governança e tecnologia.

Inácio Bicalho
Inácio Bicalho Repórter de Interior e Agro · 16 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Rodrigo Balassiano encara novo desafio no mercado

Rodrigo Balassiano chegou a um momento decisivo na trajetória dele no mercado financeiro. Não por crise nem por mudança inesperada de carreira, mas pela dimensão que o crédito privado brasileiro alcançou. Diretor da ID CTVM, ele atua em uma estrutura que reúne mais de 550 fundos e supera R$ 50 bilhões sob administração e custódia.

Com esse porte, o desafio deixou de ser ampliar operações. A prioridade agora é garantir que tecnologia, governança, controle e capacidade de supervisão acompanhem o aumento do volume e da complexidade.

Quanto maior o número de fundos, ativos e originadores, maior o volume de informações a processar. Sistemas precisam suportar volumes crescentes, controles têm de permanecer consistentes e profissionais especializados dependem de dados organizados para identificar rápido o que exige atenção. Para Balassiano, crescer de forma sustentável significa absorver novas operações sem que a escala comprometa a qualidade dos processos.

Crédito privado ganha espaço como alternativa ao banco

O movimento corre em paralelo ao avanço do mercado de capitais como alternativa ao crédito bancário tradicional. Empresas de setores variados passaram a encontrar nos FIDCs, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, uma via para conectar recebíveis às necessidades de financiamento. Indústrias, instituições de ensino, prestadores de serviços e locadoras, por exemplo, podem ter receitas previstas para o futuro enquanto enfrentam necessidades financeiras no presente.

O avanço trouxe também a exigência de compreender a origem dos recebíveis. Dois créditos de valores semelhantes podem carregar riscos diferentes conforme setor, originador, documentação, concentração da carteira e capacidade financeira das partes. Por isso, Balassiano destaca a due diligence dos cedentes e o acompanhamento contínuo: faturamento, concentração de clientes, sazonalidade, histórico operacional e comportamento das carteiras ajudam a montar uma visão mais ampla do risco.

Uma empresa considerada sólida hoje pode mudar amanhã. Perda de clientes, crescimento acelerado ou dificuldades em determinado setor alteram o perfil rapidamente. A análise inicial vira, então, o começo de um processo permanente.

Tecnologia, regulação e o que ainda não muda

Em uma operação com centenas de fundos, pagamentos, posições, documentos, vencimentos e movimentações geram diariamente grandes volumes de dados. O desafio não é só armazenar, mas transformar dado em informação que apoie decisão. Na visão de Balassiano, a tecnologia assume papel estratégico: sistemas executam conciliações, comparam registros, organizam documentos e apontam comportamentos fora do padrão. A automação não elimina o julgamento humano, amplia a eficiência dele ao reduzir tarefas repetitivas.

A expansão do crédito para atividades diferentes exige conhecimento específico. Uma carteira do setor educacional tem características distintas de recebíveis industriais ou de contratos de locação de veículos e equipamentos. Processos podem ser padronizados, mas a compreensão econômica dos ativos cobra conhecimento sobre os negócios por trás deles.

O crescimento veio junto com a modernização regulatória. A Resolução CVM 175 reorganizou o arcabouço dos fundos de investimento e trouxe novas estruturas e responsabilidades aos participantes. Para quem trabalha com centenas de fundos, mudança regulatória precisa sair do campo jurídico e chegar aos procedimentos, sistemas e controles do dia a dia. Balassiano considera tecnologia e conhecimento regulatório complementares para reduzir a distância entre o que a norma determina e o que efetivamente se executa.

Outra fronteira são os ativos digitais. Tokenização, blockchain e contratos inteligentes entram nas discussões sobre o futuro da infraestrutura financeira. Podem aumentar rastreabilidade e automatizar etapas, mas não alteram, por si sós, a qualidade econômica de um ativo. Um direito creditório não fica melhor por ser tokenizado: originação, documentação, risco de inadimplência e capacidade financeira das partes continuam relevantes.

Os mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia e os mais de 550 fundos mostram o estágio da operação e dimensionam a responsabilidade. Com a indústria de FIDCs avançando para escala maior, o próximo teste será demonstrar que infraestrutura, tecnologia e governança acompanham o crescimento do patrimônio. Depois do crescimento, o desafio de Balassiano é administrar complexidade sem transformá-la em vulnerabilidade. o que é FIDC e como funciona

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