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Pesquisa da Unicamp transforma goma de cajueiro em ingrediente industrial

ResumoA goma de cajueiro, extraída do caule do cajueiro, passou por modificação física em pesquisa da Unicamp que amplia seu uso como emulsificante industrial. O processo desenvolvido pelos pesquisadores atrai interesse da indústria de cosméticos e pode gerar renda extra para produtores do Nordeste.

Pesquisadores da Unicamp desenvolveram um processo que modifica fisicamente a goma extraída do caule do cajueiro, ampliando seu uso como emulsificante. A tecnologia já desperta interesse da indústria de cosméticos e pode gerar renda extra para produtores do Nordeste.

Cláudia Resende
Cláudia Resende Repórter de Saúde e Educação · 15 de setembro de 2026 · 1 min de leitura
Pesquisa da Unicamp transforma goma de cajueiro em ingrediente industrial

Pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) desenvolveram uma tecnologia que modifica fisicamente a goma extraída do caule do cajueiro, ampliando sua capacidade de atuar como emulsificante. O processo, conduzido pelo professor Marcelo Cristianini e pela pesquisadora Bruna Castro Porto, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), pode abrir uma nova frente de valorização para a cultura do caju no Nordeste.

A goma arábica, usada para misturar e estabilizar substâncias que normalmente não se combinam, como óleo e água, tem disponibilidade e preço que variam conforme a produção e o mercado internacional. A goma de cajueiro, um polissacarídeo natural formado por moléculas de açúcares, surge como alternativa.

O diferencial está no método: a modificação é física, sem transformação química da molécula. Segundo Cristianini, o processo melhora a capacidade emulsificante do material e pode ampliar suas aplicações industriais. A característica também representa vantagem regulatória, já que modificações químicas podem exigir nova denominação do ingrediente e indicação na composição dos produtos.

O uso potencial vai além dos alimentos. A tecnologia já despertou o interesse da empresa Symrise, que atua no desenvolvimento de ingredientes, por meio da Agência de Inovação Inova Unicamp. A empresa recebeu amostras via Acordo de Transferência de Material (MTA) para testes, incluindo aplicações em shampoos e condicionadores para cabelos cacheados.

Na cadeia produtiva do caju, a exploração comercial hoje se concentra na castanha e no pedúnculo, usado em sucos. A extração da goma pode acrescentar uma fonte complementar de renda para produtores, sem comprometer a produção de castanhas e o aproveitamento do pedúnculo, segundo os pesquisadores. A tecnologia ainda está em desenvolvimento; o próximo passo é otimizar o processo para produzir amostras maiores e avaliar sua aplicação em outros polissacarídeos naturais.

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