Novo medicamento para enxaqueca aprovado pela Anvisa: o que muda
Moradores da Grande BH que convivem com crises frequentes de enxaqueca ganharam uma nova alternativa de tratamento preventivo. Nesta terça-feira (8), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Aquipta, medicamento oral que tem como princípio ativo o atogepanto e será usado na prevenção da enxaqueca em adultos. A indicação vale para quem tem pelo menos quatro episódios por mês, incluindo as formas episódica e crônica da doença.
O Aquipta age em uma via ligada ao desenvolvimento da crise e à transmissão da dor. O atogepanto bloqueia receptores associados ao peptídeo relacionado ao gene da calcitonina, o CGRP. Esse mecanismo diferencia o remédio de parte das terapias tradicionais, que não foram desenhadas especificamente para atuar nos processos da doença.
Estudos clínicos usados na avaliação mostraram queda nos dias mensais de enxaqueca. Em um deles, 882 pacientes com pelo menos quatro dias de crise por mês foram acompanhados por 12 semanas. A média inicial era de cerca de oito dias; ao final, os tratados caíram para três a quatro dias, enquanto o grupo placebo ficou em torno de cinco. Outro estudo, com 760 pacientes com 15 ou mais dias de dor de cabeça mensais (oito ou mais de enxaqueca), viu a média cair de aproximadamente 19 para 12 dias entre os que usaram o remédio; no placebo, ficou perto de 14.
Os resultados não significam fim das crises. A resposta varia conforme a frequência, as características clínicas e o acompanhamento médico. Entre os efeitos adversos observados estão náusea, constipação, cansaço, sonolência, redução do apetite e perda de peso. Reações de hipersensibilidade também exigem atenção, então o uso deve seguir prescrição e bula.
A enxaqueca atinge cerca de 15% da população mundial e pode atrapalhar trabalho, estudos e rotina. A aprovação libera o Aquipta para comercialização no Brasil, mas ainda não há data de venda nem preço definidos. Também não houve anúncio de incorporação ao SUS, processo separado do registro sanitário. Quem se enquadra no perfil deve procurar avaliação médica para saber se o novo remédio é uma opção.