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Liquidação de títulos lava rendimentos de 10 anos para quase 5%

A liquidação de títulos levou os rendimentos do Treasury de 10 anos para perto de 5% nesta sexta-feira (10). O movimento foi puxado por temores inflacionários ligados à alta do petróleo para bem acima de US$ 100 por barril e pelas chances crescentes de aumento da taxa de juros nos EUA no curto prazo, segundo a fonte.

Na prática, os rendimentos de referência de 10 anos das economias do G7 subiram, em média, quase 19 pontos-base na semana, a pior queda semanal desde o início da guerra no Oriente Médio, que já dura mais de seis meses. Os rendimentos de dois anos, mais sensíveis às expectativas de inflação e juros, avançaram em média 22 pontos-base, com Itália e Reino Unido, grandes importadores de energia, registrando os maiores aumentos.

O que mudou nesta sexta-feira

O rendimento do Treasury de 10 anos chegou a subir para 4,979% no pregão asiático, o nível mais alto desde o final de 2023. O Banco Central Europeu elevou os juros na quinta-feira (10) e alertou que as pressões sobre os preços podem se mostrar duradouras. Dados de preços ao produtor nos EUA em agosto alimentaram as apostas de alta iminente quando o Federal Reserve se reunir na próxima semana.

"Mais uma vez, são os temores geopolíticos que estão impulsionando tudo", disse o estrategista do Deutsche Bank Jim Reid. Já Mansoor Mohi-uddin, estrategista-chefe de macroeconomia do Bank of Singapore, afirmou: "Estamos vendo uma tempestade perfeita formada por preços mais altos do petróleo, mais temores de inflação, postura hawkish dos bancos centrais e preocupações contínuas com déficits fiscais, tudo isso se combinando para empurrar os rendimentos globais para cima". Ele acrescentou que, se os dados do índice de preços ao consumidor forem fortes, o rendimento do Treasury de 10 anos provavelmente ultrapassará 5,00%.

O que isso significa para o bolso

Rendimentos mais altos do Treasury se refletem na economia por meio de hipotecas, financiamentos de automóveis e de consumo mais caros, além de empréstimos corporativos e municipais mais onerosos. Uma quebra sustentada da marca de 5% é vista por alguns analistas como limite crítico que pode tornar os títulos mais competitivos em relação às ações. Com exceção de breves incursões acima de 5% no final de 2023 e nos anos de 2006 e 2007, a taxa de 10 anos não permaneceu por período significativo acima desse limiar desde 2002.

No Japão, a taxa dos títulos de 10 anos subiu 6 pontos-base, para 2,97%, com expectativa generalizada de que o Banco do Japão eleve os juros ao maior nível em 31 anos na próxima semana. Na Europa, os títulos alemães de 10 anos subiam 1 ponto-base no dia, para 3,503%, após atingirem o nível mais alto desde 2011 nesta semana, enquanto os rendimentos franceses de 10 anos se mantinham estáveis em torno de máximas de 16 anos, em 4,429%.

Cláudia Resende
Repórter de Saúde e Educação
De Juiz de Fora, cobre saúde pública e educação em MG com foco no que afeta a família mineira.
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