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Da semente ao saneamento: ciclo que protege águas de MS

ResumoO saneamento rural em Mato Grosso do Sul integra recuperação de matas nativas e tratamento de esgoto em 41 municípios de Cerrado, beneficiando cerca de 106,7 mil pessoas com redes coletoras. Sementes nativas colhidas no território viram mudas e retornam ao solo, protegendo nascentes e cursos d'água que abastecem essas comunidades.

Em 41 municípios de MS onde o Cerrado predomina, cerca de 106,7 mil pessoas são atendidas por redes de esgoto. A outra ponta do cuidado começa com sementes nativas que viram mudas e retornam ao território.

Daniele Xavier
Daniele Xavier Repórter de Cidades · 11 de setembro de 2026 · 4 min de leitura
Da semente ao saneamento: ciclo que protege águas de MS

Antes de chegar aos rios, a água percorre caminhos que nem sempre são visíveis. Infiltra-se no solo, alimenta nascentes, atravessa cidades e conecta diferentes paisagens. No Cerrado, essa relação ganha dimensão especial e mostra como ações aparentemente distantes fazem parte de um mesmo ciclo.

De um lado, está a infraestrutura que coleta, transporta e trata o esgoto das cidades. De outro, a coleta de sementes e a produção de mudas nativas para recuperar áreas degradadas. Em Mato Grosso do Sul, essas duas frentes se encontram em um ponto essencial: a proteção da água e dos ambientes que ajudam a mantê-la.

Em alusão ao Dia Nacional do Cerrado, celebrado em 11 de setembro, a Ambiental MS Pantanal chama atenção para essa conexão. Dos 68 municípios atendidos pela empresa no interior de MS, 41 têm o Cerrado como bioma predominante, conforme o Mapa de Biomas do IBGE. Nesses municípios, cerca de 106,7 mil pessoas são atendidas por esgotamento sanitário que reúne 38.111 ligações domiciliares e mais de 626 quilômetros de redes coletoras, além de elevatórias e estações de tratamento.

Saneamento que ajuda a proteger as águas

Dos cerca de 104 milhões de litros de esgoto tratados diariamente pela empresa no interior do estado, aproximadamente 85,9 milhões passam pelos sistemas instalados nos 41 municípios onde o Cerrado predomina. Ao impedir que o esgoto sem tratamento chegue ao ambiente, essa infraestrutura reduz a carga de poluentes lançada sobre córregos, rios e outros corpos hídricos.

Em Chapadão do Sul, já foram implantados mais de 13,5 quilômetros de rede coletora e executadas 650 ligações domiciliares. Em Sonora, o município partiu de 0% de cobertura e já conta com 64,7 quilômetros de rede e 4.885 ligações. Com a conclusão das estruturas previstas, a projeção é alcançar 98% de cobertura.

"Quando coletamos e tratamos o esgoto antes que ele retorne ao ambiente, estamos protegendo não apenas aquela cidade, mas um sistema hídrico que atravessa todo o território", afirma Gabriel Buim, diretor-presidente da Ambiental MS Pantanal.

Da semente à recuperação do território

Enquanto o saneamento atua nas cidades, outra frente começa com algo muito menor: uma semente. Coletadas na natureza e levadas ao Viveiro Isaac de Oliveira, sementes de espécies nativas se transformam em mudas que retornam ao território para ações de recuperação ambiental.

Mantido desde 2021 pela Águas Guariroba e pela Ambiental MS Pantanal, o viveiro tem capacidade para produzir cerca de 90 mil mudas por ano e já soma mais de 670 mil mudas produzidas e doadas. Entre as espécies do Cerrado cultivadas estão ipê-roxo, jenipapo, jacarandá, angico-preto e pau-formiga.

Há 16 anos trabalhando no viveiro, Nereu Rios acompanha esse ciclo desde a coleta das sementes até o retorno das mudas. "Ver as áreas que a gente ajudou a reflorestar florescendo a partir dessas mudas é gratificante", conta. Para ele, a relação entre vegetação e água se resume de forma simples: "Se não tiver árvores, não tem água."

Parte das mudas é destinada a iniciativas de recuperação ambiental. Entre os parceiros está o Instituto das Águas da Serra da Bodoquena (IASB), que atua há mais de duas décadas na conservação de rios, solos, vegetação nativa e biodiversidade. As mudas são usadas principalmente na recuperação de áreas degradadas, incluindo Áreas de Preservação Permanente (APPs) e matas ciliares.

"O apoio da Ambiental MS Pantanal fortalece nossas ações, que geram impacto ambiental e social na região", afirma Joari Vieira Ximenes, responsável técnico do IASB e agente de defesa ambiental. Segundo ele, cada espécie desempenha uma função no processo de restauração, seja protegendo o solo, atraindo fauna ou favorecendo a recomposição da vegetação ao longo do tempo.

Conforme o planejamento dos projetos, essas ações podem alcançar municípios como Aquidauana, Bonito, Bodoquena, Campo Grande, Corumbá e Jardim.

Nos mapas, Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica aparecem delimitados como biomas diferentes. Na dinâmica da natureza, a água conecta esses territórios. Rios, nascentes, solos, vegetação e bacias hidrográficas fazem com que os efeitos das ações ambientais ultrapassem limites municipais e paisagens.

É nesse ciclo que saneamento e restauração ambiental se encontram. De um lado, o tratamento do esgoto protege a qualidade da água depois de seu uso pela população. De outro, a recuperação da vegetação conserva o solo e os ambientes onde a água infiltra, circula e sustenta a biodiversidade. No Cerrado, proteger a água começa muito antes de ela chegar à torneira e continua muito depois de seu uso.

A Ambiental MS Pantanal integra a Aegea, empresa que, desde 2010, contribui para transformar a realidade do saneamento no Brasil. Responsável pelo atendimento de cerca de 39 milhões de pessoas, a companhia leva soluções adaptadas a cada território. Na capital, a atuação da Aegea acontece por meio da Águas Guariroba, responsável pela concessão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário de Campo Grande.

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