Petróleo cai quase 4% e Brent recua a US$ 103
O barril Brent chegou perto de US$ 110 e recuou quase 4% nesta sexta (11), após a notícia de uma possível reunião sobre o estreito de Ormuz. A queda alivia o câmbio do combustível, mas o avanço dos houthis no Iêmen mantém o risco no radar.
O preço do petróleo começou a sessão desta sexta-feira (11) em alta, chegou perto dos US$ 110 e virou para queda de quase 4%. O gatilho foi a informação de uma possível reunião entre chanceleres do Irã e de outros países do golfo Pérsico nos próximos dias para debater o estreito de Ormuz, bloqueado para navegação desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
O barril Brent, referência mundial, abriu com alta de 2% e atingiu US$ 109,62 (R$ 559,17) por volta das 21h (horário de Brasília) da quinta-feira (10), pouco abaixo dos US$ 109,68 da sessão anterior. Ao longo do dia, recuou até US$ 103,51 (R$ 528), às 7h45 desta sexta, queda de 3,83%. Estabilizou-se na casa de US$ 104 e estava cotado a US$ 104,69 (R$ 534,02) por volta das 12h50, desvalorização de 2,73%. O WTI, usado nos EUA, caía 2,98%, a US$ 99,43 (R$ 507,19), no mesmo horário.
A queda veio depois que o Financial Times informou que os ministros das Relações Exteriores do Irã e de Omã articulam uma reunião para segunda-feira (14) com o objetivo de debater o controle sobre o estreito de Ormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás antes do conflito. Segundo duas pessoas ouvidas pela publicação, vários países já teriam confirmado presença no encontro em Salalah, em Omã, mas não foram divulgados quais são. Irã e Omã negociam desde o início do mês um acordo para determinar o controle em Ormuz, porém o presidente dos EUA, Donald Trump, já disse ser contra esse pacto e ameaçou bombardear Omã.
O que o avanço no Iêmen muda para o consumidor
Enquanto não há acordo, o grupo dos houthis, aliados do Irã, manteve a estratégia de avançar posições no Iêmen e chegou nesta sexta à ilha estratégica de Perim, no estreito de Bab el-Mandeb, segundo quatro pessoas do governo iemenita à Reuters. Antes, duas fontes do governo iemenita, apoiado pela Arábia Saudita e reconhecido internacionalmente, afirmaram que suas forças se retiraram de Perim e que os houthis também tomaram a cidade de Dhubab, no litoral do Mar Vermelho, em frente à ilha.
Se os houthis assumirem o controle total de Bab el-Mandeb, isso poderia dar vantagem ao Irã na guerra contra os EUA. O estreito fica no lado oposto da Península Arábica em relação a Hormuz. O domínio reduziria o abastecimento por um segundo corredor de trânsito e poderia elevar os preços do petróleo. A Arábia Saudita, maior exportadora mundial, tem contado com Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico, para escoar sua produção enquanto Hormuz segue bloqueado.
Segundo o portal americano Axios, o príncipe-herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, pediu a Trump que ordenasse ataques contra os houthis para conter o avanço dos insurgentes. O presidente dos EUA teria recusado o pedido, apresentado duas vezes ao longo da quinta-feira, segundo o Axios, que cita pessoas do governo norte-americano. Uma delas explicou que Washington continuaria fornecendo informações de inteligência sobre os houthis e possíveis alvos a Riade, mas não cogita, neste momento, uma intervenção militar direta.
As águas ao sul do Mar Vermelho abrigam quatro ilhas: Zuqar, tomada pelos houthis na quinta-feira, Perim e as duas ilhas Hanish. Imagens de satélite mostraram fumaça na quinta-feira nas proximidades do gasoduto leste-oeste da Arábia Saudita, usado pelo reino para desviar suas exportações de petróleo. Não houve confirmação da Arábia Saudita sobre qualquer incidente na área. A assessoria de imprensa do governo saudita e a estatal Aramco não responderam imediatamente aos pedidos de comentário sobre a fumaça visível nas imagens verificadas pela Reuters.
A Aramco tem usado o gasoduto leste-oeste para aumentar o fluxo de petróleo bruto da costa leste da Arábia Saudita até o Mar Vermelho, a oeste, depois que os ataques aéreos dos EUA e de Israel contra o Irã começaram há seis meses, levando Teerã a bloquear o Estreito de Hormuz. O fornecimento de petróleo bruto saudita caiu 2,3 milhões de barris por dia em agosto, para 6 milhões de bpd, o nível mais baixo em mais de três décadas, informou a AIE (Agência Internacional de Energia) na sexta-feira, em parte devido aos ataques a navios que transitavam por Bab el-Mandeb por grupos ligados aos houthis do Iêmen.
Se os estreitos de Hormuz e de Bab el-Mandeb ficarem bloqueados, a única alternativa para os navios-petroleiros é contornar a África pelo Cabo da Boa Esperança, opção muito mais longa e cara. Para o consumidor brasileiro, o alívio no preço do barril nesta sexta ainda não se traduz automaticamente em combustível mais barato na bomba: a defasagem cambial e a política de preços da Petrobras costumam repassar o movimento com semanas de intervalo, e um novo bloqueio em Bab el-Mandeb pode reverter a queda antes disso.