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Vitamina C e cérebro: estudo associa nutriente a saúde

ResumoA vitamina C aparece associada a maior integridade estrutural do cérebro em estudo transversal com 2.044 idosos, segundo pesquisa que mediu os níveis do nutriente no sangue e avaliou imagens cerebrais. Por ser um estudo observacional transversal, os resultados geram hipóteses e não comprovam relação de causa e efeito entre vitamina C e saúde cerebral.

Estudo transversal com 2.044 idosos associou níveis de vitamina C no sangue a maior integridade estrutural do cérebro. Pesquisadores alertam que o desenho da pesquisa gera hipóteses, mas não comprova relação de causa.

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 15 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Vitamina C e cérebro: estudo associa nutriente a saúde

Um artigo publicado no periódico PlosOne associou a vitamina C, presente na laranja e em outros cítricos, a impactos positivos no cérebro. Pesquisadores japoneses observaram um elo entre o micronutriente e maior integridade estrutural do órgão, além de melhor funcionamento neuronal.

O trabalho analisou exames de ressonância magnética e as taxas do nutriente no sangue de 2.044 idosos. Trata-se de um estudo transversal: avalia dados de um grupo em um momento específico, como um retrato daquele instante. Por isso, ajuda a formular hipóteses, mas não traz comprovação de causa e efeito.

O nutrólogo Celso Cukier, do Einstein Hospital Israelita, pondera que parte dos participantes já poderia ter um estilo de vida saudável, com cardápio equilibrado, o que resultaria em bons níveis da vitamina no momento dos exames. A ressalva é central para interpretar o achado sem transformá-lo em promessa.

A vitamina C, também chamada de ácido ascórbico, é hidrossolúvel: dissolve-se em água, é absorvida pelo organismo e o excedente sai pela urina. Diferente das lipossolúveis, que ficam estocadas no corpo, as hidrossolúveis precisam ser consumidas continuamente, com equilíbrio. Excesso está associado a maior risco de cálculo renal.

Cukier salienta que os resultados não servem para atestar o uso de suplementos de vitamina C em favor do cérebro. Um único nutriente não assegura benefícios isoladamente. A recomendação do médico é investir em alimentação rica em frutas, hortaliças e grãos, itens que oferecem substâncias antioxidantes e efeitos protetores.

Diversas pesquisas já indicam que compostos antioxidantes são importantes ao funcionamento cerebral e à redução do risco de males como o Alzheimer. A nutricionista Lara Natacci, que investigou a relação entre alimentação e saúde mental em pós-doutorado na Faculdade de Saúde Pública da USP, lembra que o cérebro é metabolicamente muito ativo, com reações que contribuem para a produção de radicais livres. Em excesso, essas moléculas podem favorecer danos e comprometimento cognitivo.

Além da ação antioxidante, a vitamina C vinda da alimentação participa da produção de neurotransmissores e contribui para a integridade dos vasos sanguíneos. Outros antioxidantes entram na mesma lista: carotenoides da cenoura, tomate e espinafre; polifenóis das uvas, açaí, jabuticaba, maçã, café e chá-verde; vitaminas A e E da gema de ovo, abóbora, azeite e nozes; e minerais como selênio e zinco, presentes em castanhas e frutos do mar.

Fora do cérebro, o micronutriente é essencial para a síntese do colágeno e melhora o aproveitamento do ferro de vegetais, o que o torna aliado na redução do risco de anemia. Natacci ressalta que ele também favorece o sistema imunológico, mas doses altas não turbinam a imunidade. Exageros podem ter efeito pró-oxidante.

Para não faltar no dia a dia, caprichar nos cítricos ajuda, mas eles não são os únicos: acerola, caju, goiaba, morango e mamão também fornecem o nutriente, assim como pimentão, couve, brócolis, tomate e salsinha. O ideal é consumir in natura, já que o calor acelera processos oxidativos. Sucos devem ser tomados rapidamente; se não for possível, guardar na geladeira em recipiente escuro preserva melhor o nutriente.

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