Erro na reserva de viagem a trabalho travado antes de virar problema
Sistema de auditoria em tempo real confere cada reserva de viagem a trabalho antes de o bilhete sair, evitando desvios que só apareciam na fatura do fim do mês. Grupo Inttra registrou queda de 31% no valor médio das viagens.
Quem viaja a trabalho conhece a cena: a pressa aperta, a reserva sai fora do horário previsto ou o hotel escolhido custa mais do que a empresa libera. Na maioria das vezes não é má-fé do funcionário, é distração. O problema é que, em muitas companhias, esse erro só aparece semanas depois, quando a fatura chega ao financeiro, e aí vira dor de cabeça para todo mundo, inclusive para quem fez a reserva.
O Grupo Inttra decidiu mudar esse roteiro. Em vez de conferir tudo apenas no fechamento do mês, a empresa passou a usar um sistema que audita cada pedido de viagem no instante em que ele é feito, antes de o bilhete ser emitido. A plataforma é da Loupit, travel tech brasileira de gestão de viagens e despesas corporativas.
"A auditoria roda no momento do pedido, não no fechamento do mês", explica Leonardo Crispim, CTO da Loupit. "O modelo lê a política da empresa, o histórico de compras e o contexto de cada solicitação (quem pediu, para qual centro de custo, com quanta antecedência, dentro de qual alçada) e devolve a decisão em segundos."
Segundo Patrick Tytgadt, fundador e CEO da Loupit, boa parte dos desvios de reserva não é intencional. "É distração. Alguém reserva fora da política sem perceber e ninguém revisa a tempo. Quando o sistema avisa na hora, o problema deixa de existir", afirma.
A mudança também mexeu no bolso da empresa. O modelo funciona como um marketplace de viagens corporativas, no qual várias agências cotam ao mesmo tempo cada pedido, em vez de uma agência única, como era antes. "Nossa agência anterior foi escolhida porque tinha a menor taxa de transação entre as concorrentes. Só que em nenhum momento tivemos acesso ao preço das viagens, que é onde estão os outros 99% do valor", conta Romero Ribeiro, Gerente de Compras do Grupo Inttra.
Com a troca, o Grupo Inttra registrou queda de 31% no valor médio das viagens e economizou cerca de R$ 1 milhão já no primeiro mês, sem trocar de agência fixa nem alterar as regras de viagem existentes. O mercado brasileiro de viagens corporativas movimentou cerca de R$ 147,8 bilhões em 2025, segundo a Abracorp, com 5,4 milhões de passagens aéreas e 10,2 milhões de diárias de hotel emitidas no período.
como funciona a gestão de despesas corporativas
A lógica é parecida com o que já fazemos quando compramos passagem para as férias, comparando preço em vários sites antes de fechar. A diferença é que, na viagem paga pela empresa, entram também as regras internas, que o sistema confere junto com o preço. política de viagens corporativas nas empresas