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Empresários apontam interferência das eleições no tarifaço de Trump

ResumoEmpresários de Minas Gerais apontam interferência das eleições norte-americanas de 2026 na política tarifária de Donald Trump. O republicano utiliza o tarifaço como plataforma de campanha, gerando riscos para as exportações mineiras de aço e café.

Empresários de Minas Gerais apontam interferência direta das eleições norte-americanas de 2026 na política tarifária de Donald Trump. A avaliação é de que o republicano usa o tarifaço como plataforma de campanha, com riscos para as exportações mineiras de aço e café.

Geraldo Assunção
Geraldo Assunção Repórter de Política Estadual · 17 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Empresários apontam interferência das eleições no tarifaço de Trump

Empresários apontam interferência das eleições no tarifaço de Trump

Empresários mineiros apontam interferência direta das eleições norte-americanas de 2026 na política tarifária de Donald Trump. A avaliação é de que o republicano usa o tarifaço como plataforma de campanha, com riscos para as exportações mineiras de aço e café. A decisão pode impactar o orçamento de cidades como Ipatinga e Varginha.

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Flávio Roscoe, a sobretaxa de 25% sobre o aço brasileiro anunciada em março é "claramente um movimento de campanha". Em entrevista à Rádio Itatiaia, ele disse que Trump "precisa mostrar serviço ao eleitorado industrial dos EUA, e o Brasil vira bode expiatório". Roscoe estima que as exportações mineiras de aço podem cair até 15% neste ano, o que representaria perda de R$ 1,2 bilhão em receita para o estado.

A Associação Comercial de Minas Gerais (ACMinas) também vê motivação eleitoral. O presidente da entidade, José Anchieta da Silva, afirmou que "tarifas são instrumento político, não econômico, e o timing é suspeito". Segundo ele, o tarifaço atinge justamente setores onde Minas é forte: siderurgia, café e mineração. A ACMinas calcula que 40% das exportações mineiras para os EUA podem ser afetadas.

Impacto nas exportações mineiras

Minas Gerais é o segundo maior exportador do Brasil para os Estados Unidos, atrás apenas de São Paulo. Em 2025, o estado vendeu US$ 8,3 bilhões em produtos ao mercado americano, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O aço responde por 35% desse total, e o café, por 18%.

A sobretaxa de 25% sobre o aço, anunciada em 12 de março, já gerou reação. A Usiminas, com sede em Ipatinga, informou que reduzirá a produção em 10% no segundo trimestre, afetando 1.200 empregos diretos. A prefeitura de Ipatinga estima perda de R$ 45 milhões em arrecadação de ICMS neste ano.

Já o café, que responde por 18% das exportações mineiras para os EUA, pode sofrer com tarifa de 10% a 20%, ainda em negociação. A Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Varginha (Cooxupé) disse que "o produtor mineiro já opera com margens apertadas, e qualquer tarifa extra inviabiliza contratos". Varginha, que vive do café, pode perder R$ 30 milhões em receita municipal.

A leitura política do tarifaço

Empresários apontam que Trump repete estratégia de 2018, quando impôs tarifas sobre aço e alumínio meses antes das eleições de meio de mandato. Na ocasião, a medida foi vista como aceno à base industrial dos chamados "estados de ferrugem" (Rust Belt), como Pensilvânia e Ohio, que são decisivos para a reeleição.

A diferença agora, segundo analistas, é que o Brasil tem mais opções de retaliar. O governo Lula já sinalizou que pode taxar produtos americanos como milho, trigo e medicamentos, o que afetaria diretamente o agronegócio mineiro. "Minas vira campo de batalha de uma guerra comercial que não começou aqui", afirmou o deputado estadual João Vitor Xavier (PSDB), presidente da Comissão de Economia da Assembleia Legislativa.

O que está em jogo para o orçamento mineiro

O tarifaço de Trump pode reduzir o PIB mineiro em até 0,8% em 2026, segundo estimativas da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico. Isso representa cerca de R$ 6 bilhões a menos na economia do estado. A arrecadação de ICMS, principal fonte de receita dos municípios, pode cair R$ 1,5 bilhão.

Cidades como Ipatinga (aço), Varginha (café) e Nova Lima (mineração) são as mais expostas. A prefeitura de Ipatinga já anunciou cortes de 20% em investimentos públicos para 2026. "Se o tarifaço continuar, vamos ter que rever o orçamento inteiro", disse o secretário municipal de Fazenda, Carlos Alberto de Oliveira.

Reação do governo federal

O Ministério das Relações Exteriores informou que negocia com os EUA uma redução das tarifas, mas admite que "o cenário é desafiador". O governo Lula prepara uma lista de retaliação que inclui produtos americanos com peso político nos estados decisivos para Trump, como milho de Iowa e trigo do Kansas.

Empresários mineiros, no entanto, cobram ações mais concretas. "O Brasil não pode ficar refém de uma eleição americana", disse Roscoe, da FIEMG. A entidade propôs um plano de emergência que inclui linhas de crédito do BDMG para exportadores afetados e redução de impostos estaduais para compensar perdas planos de emergência para exportadores mineiros.

Perguntas Frequentes

Por que empresários apontam interferência das eleições no tarifaço?

Porque Trump anunciou as tarifas em março de 2026, meses antes das eleições de novembro, repetindo estratégia de 2018. A medida beneficia a base industrial dos EUA, que é crucial para sua reeleição.

Quais setores mineiros são mais afetados?

Aço, café e mineração. O aço responde por 35% das exportações mineiras para os EUA; o café, por 18%. A sobretaxa de 25% sobre o aço já gerou redução de produção na Usiminas.

Qual o impacto no orçamento de Minas Gerais?

O PIB mineiro pode cair até 0,8%, com perda de R$ 1,5 bilhão em ICMS. Cidades como Ipatinga e Varginha já anunciaram cortes em investimentos.

O governo brasileiro pode retaliar?

Sim. O governo Lula prepara retaliação sobre milho, trigo e medicamentos americanos, que afetariam estados decisivos para Trump. As negociações seguem em andamento.

Como os empresários estão reagindo?

A FIEMG e a ACMinas cobram plano de emergência, com linhas de crédito do BDMG e redução de impostos estaduais. A Usiminas já reduziu produção em 10%.

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