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Além da terapia: 5 formas de cuidar da saúde mental

Mais de um bilhão de pessoas vivem com alguma condição de saúde mental no mundo, segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2025. O impacto também aparece em um dos desfechos mais graves do sofrimento psíquico: mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos. Entre jovens de 15 a 29 anos, o suicídio foi a terceira principal causa de morte no mundo, conforme as estimativas mais recentes da organização.

Além da terapia, especialistas de diferentes áreas apontam cinco caminhos que podem integrar o cuidado cotidiano: usar a música para regular emoções, observar sinais de sobrecarga, reservar tempo para experiências desejadas, praticar autocuidado básico e procurar ajuda profissional quando as mudanças persistem. Nenhum deles substitui o acompanhamento psicológico quando necessário.

Os números ajudam a dimensionar um problema que não começa apenas em situações extremas. A saúde mental também se constrói no cotidiano, na forma como lidamos com emoções, reconhecemos sinais de sobrecarga, nos relacionamos, descansamos e encontramos espaços de cuidado. No Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio, ampliar essa discussão ajuda a mostrar que prevenção envolve reconhecer precocemente quando algo não vai bem.

Gustavo Gattino, doutor em saúde da criança e do adolescente e professor associado da Universidade de Aalborg, na Dinamarca, explica que a música dialoga com processos ligados à emoção, à memória, à atenção e à organização dos estados internos. Pesquisador da relação entre música, cérebro, saúde mental e neurodesenvolvimento, ele ressalta que não existe uma playlist universal: a história e a relação de cada pessoa com determinada música importam. A orientação é observar como diferentes músicas afetam você, escolhendo, em momentos de ansiedade, aquelas associadas à segurança e à tranquilidade.

A psicóloga e neurocientista Mayra Gaiato alerta para a diferença entre atravessar um período difícil e viver permanentemente no limite. Ela sugere um check-in consigo mesmo: como estou dormindo? Estou mais irritado? Tenho vontade de estar com outras pessoas? Ainda sinto prazer nas coisas que gostava? Estou conseguindo cumprir minha rotina? Quando várias dessas respostas mudam e isso persiste, a recomendação é não esperar piorar, conversar com alguém de confiança e procurar ajuda profissional.

A especialista em turismo internacional Meg Getz observa entre mulheres acima dos 50 anos um movimento de retomada de projetos pessoais depois de anos dedicados prioritariamente à família e ao trabalho. Ela sugere colocar no calendário alguma experiência que seja sua, sem exigir viagem internacional ou grande investimento. Pode ser conhecer uma cidade próxima ou passar um fim de semana fora. Já a médica Telma Giordani lembra que autocuidado não significa bancada cheia de cosméticos ou procedimentos caros: dormir melhor, movimentar o corpo, proteger a pele do sol e manter uma rotina simples de cuidados também são formas de olhar para si.

mindfulness para reduzir estresse e ansiedade

Marília Stefani
Repórter de Segurança Pública
De Betim, cobre segurança pública em MG com dado, contexto e cuidado para não alimentar o pânico.
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