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Açúcar sobe 2,7% em NY com avanço do petróleo e expectativa sobre etanol

ResumoO contrato do açúcar bruto na Bolsa de Nova York registrou alta de 2,7%, impulsionado pelo avanço do petróleo e pela expectativa de maior demanda por etanol. O movimento reflete ajustes do mercado global às condições climáticas e à oferta restrita do Centro-Sul do Brasil.

O contrato do açúcar bruto fechou em alta de 2,7% na Bolsa de Nova York, puxado pelo avanço do petróleo e pela expectativa de maior demanda por etanol. O movimento reflete o ajuste do mercado global às condições climáticas e à oferta restrita do Centro-Sul do Brasil.

Inácio Bicalho
Inácio Bicalho Repórter de Interior e Agro · 17 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Açúcar sobe 2,7% em NY com avanço do petróleo e expectativa sobre etanol

Açúcar sobe 2,7% em NY com avanço do petróleo e expectativa sobre etanol

O contrato do açúcar bruto para julho fechou em alta de 2,7% nesta quarta-feira na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), cotado a 19,85 centavos de dólar por libra-peso. O movimento foi puxado pelo avanço do petróleo no mercado internacional e pela expectativa de que a demanda por etanol cresça, reduzindo a oferta de açúcar no curto prazo. Segundo a Bloomberg, o petróleo Brent subiu 1,8% no mesmo dia, influenciado por cortes na produção da Opep+.

O açúcar bruto subiu 2,7% na Bolsa de Nova York, cotado a 19,85 centavos de dólar por libra-peso. A alta foi impulsionada pelo avanço do petróleo, que torna o etanol mais competitivo, e pela expectativa de redução na moagem de cana no Centro-Sul do Brasil devido ao clima seco.

Petróleo em alta e o efeito no etanol

O preço do petróleo tem impacto direto sobre o açúcar porque, no Brasil, as usinas podem optar por produzir mais etanol ou mais açúcar a partir da cana. Quando o petróleo sobe, o etanol hidratado fica mais competitivo nos postos, e as usinas tendem a direcionar mais cana para o biocombustível. Isso reduz a oferta de açúcar no mercado global e pressiona os preços para cima.

De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do etanol hidratado nos postos brasileiros subiu 3,2% na última semana. Já o petróleo Brent opera acima dos US$ 85 o barril, maior patamar desde outubro de 2025.

Safra apertada no Centro-Sul do Brasil

A safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, principal região produtora, enfrenta desafios climáticos. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) informou que a moagem acumulada até maio ficou 4,8% abaixo do mesmo período do ano passado. O clima seco e as queimadas em áreas de canavial reduziram a produtividade.

"A gente já sente no bolso. A cana veio mais fraca esse ano, e o preço do açúcar lá fora ajuda, mas a conta de luz e o diesel não param de subir", diz Antônio Carlos de Oliveira, produtor de cana em Patos de Minas, no Alto Paranaíba. Ele planta 120 hectares e vende parte da produção para usina local.

Expectativa de demanda global

O mercado também reage à expectativa de que a Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, mantenha restrições às exportações. O país asiático enfrenta uma safra menor devido ao clima irregular, e o governo deve limitar os embarques para garantir o abastecimento interno. Isso reduz a oferta global e favorece o preço do açúcar brasileiro.

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção global de açúcar em 2025/26 deve cair 1,2% em relação ao ciclo anterior, para 182 milhões de toneladas. O Brasil deve responder por 22% desse total.

Impacto para o produtor rural

Para o agricultor brasileiro, a alta do açúcar em NY significa um alívio momentâneo na renda, mas os custos de produção seguem elevados. O preço dos fertilizantes, por exemplo, subiu 8% no primeiro semestre de 2026, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). Além disso, o frete e o diesel pesam no bolso.

"O preço do açúcar ajuda, mas a margem ainda é apertada. O que segura é o etanol, que também tá pagando bem este ano", afirma Oliveira. Ele espera que a usina pague um prêmio maior pela cana na próxima safra.

Perspectivas para o mercado

Analistas do setor avaliam que o açúcar pode seguir volátil nas próximas semanas, dependendo do clima no Centro-Sul e das decisões da Índia. Se o petróleo continuar subindo, o etanol pode ganhar ainda mais espaço, sustentando os preços do açúcar.

O Banco Central do Brasil, em seu Relatório de Inflação, destacou que os preços das commodities agrícolas têm impacto relevante sobre a inflação doméstica inflação e commodities. A alta do açúcar, se mantida, pode pressionar os preços dos alimentos processados.

Perguntas Frequentes

Por que o açúcar subiu em NY?

O açúcar subiu 2,7% em NY puxado pelo avanço do petróleo, que torna o etanol mais competitivo, e pela expectativa de safra menor no Brasil e restrições na Índia.

Qual a cotação atual do açúcar?

O contrato para julho fechou a 19,85 centavos de dólar por libra-peso na ICE Futures US.

Como o petróleo afeta o preço do açúcar?

O petróleo mais caro eleva a competitividade do etanol, levando usinas brasileiras a desviar cana da produção de açúcar para o biocombustível, reduzindo a oferta global.

A safra de cana no Brasil está boa?

A moagem no Centro-Sul até maio ficou 4,8% abaixo do mesmo período de 2025, segundo a Unica.

O que esperar para o preço do açúcar nos próximos meses?

Analistas preveem volatilidade, com o clima no Brasil e as decisões da Índia como principais fatores. Se o petróleo se mantiver alto, o açúcar pode seguir firme.

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