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Revisão científica triplica espécies de plantas no Sul e Sudeste

ResumoA pesquisa publicada na Phytotaxa sobre o gênero Thaumatocaryon triplica o número de espécies conhecidas no Sul e Sudeste do Brasil, saltando de três para nove. Seis dessas espécies são novas para a ciência, e todas as nove estão classificadas como ameaçadas de extinção. O estudo amplia o conhecimento botânico regional e destaca a urgência de conservação.

Pesquisa publicada na Phytotaxa triplica o número conhecido de espécies de Thaumatocaryon no Sul e Sudeste, saltando de três para nove. Seis são novas para a ciência, e todas estão ameaçadas de extinção.

Ronaldo Pimenta
Ronaldo Pimenta Repórter de Esporte Mineiro · 08 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Revisão científica triplica espécies de plantas no Sul e Sudeste

Uma revisão científica publicada na revista Phytotaxa triplicou o número de espécies conhecidas de plantas do gênero Thaumatocaryon no Sul e Sudeste do Brasil, saltando de três para nove. Seis são novas para a ciência, e todas estão ameaçadas de extinção.

A última revisão completa do grupo havia sido feita em 1927, pelo botânico Ivan Murray Johnston, que reconheceu apenas três espécies. Agora, quase um século depois, a nova pesquisa revelou uma diversidade oculta, com consequências para a conservação da biodiversidade brasileira.

As pequenas ervas, conhecidas popularmente como borragens-miúdas, vivem em ambientes úmidos e abertos, como campos naturais, margens de rios e banhados. Elas pertencem à família Boraginaceae, a mesma do confrei.

O gênero Thaumatocaryon e seu irmão Moritzia são os únicos representantes atuais da tribo Boragineae nas Américas. No passado, porém, o registro fóssil mostra que essas plantas tiveram distribuição muito maior, da América do Norte até a América do Sul. As linhagens norte-americanas foram extintas, e o grupo ficou restrito à porção meridional da América do Sul, além de uma espécie nos Andes.

Desde 1927, eram reconhecidas apenas duas ou três espécies, dependendo do autor. A nova investigação, conduzida por Luiz Funez, elevou o número para nove, incluindo um nome revalidado, Thaumatocaryon hilarii, e seis espécies novas, como T. hispidissimum, T. macrophyllum, T. moritziiflorum, T. parviflorum e T. quiririënse.

A identificação foi possível graças à análise de espécimes em herbários do Brasil e do exterior, além de expedições de campo. Detalhes imperceptíveis a olho nu, como a disposição das folhas, a presença e o formato de tricomas e o comprimento do tubo da corola, foram fundamentais para delimitar os novos táxons.

O alerta veio com a avaliação do status de conservação: todas as espécies estão ameaçadas de extinção. Três das recém-descritas são conhecidas por apenas um único registro de herbário. "Isso significa que existe a possibilidade de que algumas delas já estejam completamente extintas, destruídas antes mesmo de serem apresentadas ao mundo", alerta Funez.

As principais ameaças incluem a drenagem de áreas úmidas para agricultura, o avanço da silvicultura de pinus e eucalipto, o crescimento urbano desordenado e a degradação da Floresta de Araucárias e dos Campos Sulinos. "Quando várias espécies distintas são tratadas como uma ou duas espécies 'comuns', a avaliação de risco tende a mascarar a realidade", explica o pesquisador.

O trabalho mostra como subestimar a diversidade aumenta o risco de extinção. "Às vezes, descobrir que existem mais espécies não é apenas uma questão de taxonomia. É também descobrir quantas delas podem estar desaparecendo sem que sequer saibamos que existem", conclui Funez.

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