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Investigação expõe trituração de pintinhos na indústria de ovos

ResumoInvestigação da Mercy For Animals documentou a trituração de 35 mil pintinhos machos em um único dia em incubatório da Região Sul. A prática, comum na indústria de ovos, elimina filhotes sem valor comercial. A alternativa da sexagem in ovo permite identificar o sexo antes da eclosão, reduzindo o descarte. O método apresenta custos e desafios técnicos em avaliação.

Investigação da Mercy For Animals documenta trituração de 35 mil pintinhos machos em um dia em incubatório da Região Sul. Entenda a prática, os custos e a alternativa da sexagem in ovo.

Sérgio Tadeu Mafra
Sérgio Tadeu Mafra Repórter de Economia Regional · 08 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Investigação expõe trituração de pintinhos na indústria de ovos

Investigação da Mercy For Animals (MFA) documentou a trituração de pintinhos machos recém-nascidos em um incubatório de grande porte da indústria de ovos na Região Sul do país. Cerca de 35 mil animais foram mortos em um dia na unidade, cujo nome foi mantido em sigilo. Os pintinhos tinham menos de 24 horas de vida e eram colocados em máquinas com lâminas rotativas de alta velocidade.

A prática ocorre porque os machos não põem ovos e, segundo a investigação, não apresentam características genéticas consideradas adequadas para a produção de carne. Separados das fêmeas logo após o nascimento, eles são destinados ao descarte. A vice-presidente de Investigações da MFA, Luiza Schneider, esclareceu que o objetivo era documentar uma prática representativa de quase toda a indústria, não investigar uma denúncia específica. "Os pintinhos recém-nascidos têm plena capacidade de senciência, o que significa capacidade de sentir medo ou dor física. Eles têm o sistema nervoso completamente formado", disse. O material aponta ainda que os maceradores mecânicos nem sempre provocam a morte imediatamente, o que pode prolongar o sofrimento.

Uma das alternativas apresentadas é a sexagem in ovo, tecnologia que identifica o sexo do embrião durante a incubação, permitindo retirar ovos com embriões machos antes da eclosão. Na União Europeia, cerca de 130 milhões de um total de 340 milhões de poedeiras já vinham do método em junho, segundo a Innovate Animal Ag. Alemanha, França, Áustria e Itália proíbem a trituração; Noruega e Suíça avançam por decisão de mercado. No Brasil, a primeira máquina foi instalada em julho de 2025 no incubatório da Hy-Line do Brasil, em Nova Granada (SP), com a Raiar Orgânicos como cliente-âncora. Os primeiros ovos chegaram ao mercado em dezembro.

A adoção ainda é pequena. A máquina instalada no Brasil opera abaixo da capacidade, e o principal obstáculo é financeiro: o método convencional custa cerca de R$ 7 por ave, enquanto o adicional da tecnologia fica entre R$ 5 e R$ 10, acréscimo de 80% a 150%. Mas o custo pode ser diluído: uma poedeira produz cerca de 350 ovos por ciclo, o que equivale a poucos centavos por dúzia para o consumidor. Vanessa Garbini, vice-presidente de Relações Institucionais da MFA, avalia que a adoção na Europa prova que o custo não inviabiliza a mudança. Empresas como Planalto Ovos, Grupo Mantiqueira e Korin já assumiram compromissos públicos de suspender a prática, condicionados a tecnologia economicamente acessível.

No Brasil, não há norma federal específica sobre o descarte de pintinhos machos, mas os PLs 783/2024 e 3034/2026 tramitam no Congresso. Pesquisa da Innovate Animal Ag com 1.553 compradores mostrou que 73% se sentem desconfortáveis com o abate e 76% querem alternativa; 79% têm interesse em ovos com sexagem in ovo, com disposição média de pagar R$ 3,87 a mais por dúzia. Para Luiza Schneider, a falta de informação explica a pouca pressão social: "Há um desconhecimento da população em relação a algumas práticas dessa indústria". A MFA informou que pretende encaminhar denúncia ao Ministério Público. A tendência é que o tema ganhe mais espaço conforme a tecnologia se popularize e os custos caiam, mas a velocidade da mudança dependerá de pressão do consumidor e de avanço legislativo.

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