Casa Pai Jacob do Oriente celebra 60 anos na Lagoinha
A Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente completa 60 anos e abre a Vila Senhor dos Passos, na Lagoinha, para um dia inteiro de festa gratuita neste sábado (19/9). Tem xirê na rua, samba de raiz, cozinha de moradores e a nova fachada assinada por Jorge dos Anjos.
A Vila Senhor dos Passos, na Lagoinha, vira palco de um dia inteiro de celebração neste sábado (19/9). A Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente (CCPJO) comemora 60 anos com entrada gratuita, das 9h às 18h30, na Rua Fagundes Varela, 99, em Belo Horizonte.
O que mudou em seis décadas: o barracão simples onde os móveis eram empilhados para abrir espaço para as sessões e o altar improvisado com tijolos, madeira e latas de óleo deram lugar a uma casa com fachada nova, assinada pelo artista plástico Jorge dos Anjos, filho do terreiro. O conjunto escultórico tem 32 peças de ferro e saiu do projeto "Cangira III - Natureza e Arte, Presença e Sobrevivência", em parceria com a Fundação Banco do Brasil.
A programação começa cedo. Às 9h, café da manhã comunitário. Às 10h, a Guarda São Jorge de Nossa Senhora do Rosário se apresenta. Às 11h, o Tributo CCPJO leva um xirê para a rua, roda de dança e celebração dedicada aos Orixás e Guias cultuados pela casa, com médiuns, pais e mães de santo, amigos e comunidades parceiras.
À tarde, às 14h, o Grupo Nossa Roda, liderado por Juninho Baú, comanda o samba de raiz e recebe Aline Calixto, Arielle, Adrielle Assis, Laura Souza, Talita Sanha, Fran Januário e Dona Eliza. O encerramento fica com o Bloco Afro-Periférico Orisamba, criado dentro da própria CCPJO, que há 11 anos desfila pela Lagoinha.
Durante todo o dia, a Vila Gastronômica reúne moradores da Vila Senhor dos Passos, que vão vender acarajé, pastel, torresmo empanado, espetinho, cachorro-quente, macarrão na chapa, doces, drinks e chope.
Seis décadas de resistência
A casa nasceu em 1966, criada por Joaquim Camilo e Maria das Dores de Moura, a Mãe Mariinha. Joaquim incorporava o Preto Velho Pai Jacob do Oriente, entidade que deu nome ao terreiro. Ao lado de Maria das Dores, oferecia passes, orientações espirituais e receitas de remédios preparados com ervas e plantas.
A trajetória também guarda períodos duros. Durante a ditadura militar, nas décadas de 1970 e 1980, a casa precisava registrar suas sessões em delegacias e no DOPS para manter os rituais. Hoje, a CCPJO é dirigida por Pai Ricardo de Moura, à frente da casa desde 2005.
"Esses 60 anos representam não só a resistência do povo preto, do povo de terreiro, do povo afro-periférico, mas também a força e a resistência que trouxemos ocupando territórios, enfrentando as dificuldades quando ocupando lugares e buscando visibilidade. São seis décadas resistindo e continuando os planos de nossos antepassados", afirma Pai Ricardo.
Serviço
- Quando: sábado (19/9), a partir das 9h
- Onde: Rua Fagundes Varela, 99, Lagoinha, Belo Horizonte
- Entrada: gratuita
Programação: 9h, café da manhã; 10h, Guarda São Jorge de Nossa Senhora do Rosário; 11h, Tributo CCPJO; 14h, Grupo Nossa Roda e convidados; 18h30, Bloco Afro-Periférico Orisamba.