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Redes sociais distorceram visão sobre ascensão social

ResumoTathiana Chicarino, cientista política da FESPSP, afirma que o diploma universitário mantém relevância para a mobilidade social, mas a digitalização do trabalho e o consumo nas redes sociais distorceram a percepção pública sobre ascensão. A pesquisadora aponta que plataformas digitais criam ilusões de sucesso rápido, enquanto a realidade exige qualificação formal e trajetórias mais longas.

Para a cientista política Tathiana Chicarino, da FESPSP, o diploma universitário segue relevante, mas a digitalização do trabalho e o consumo nas redes sociais distorceram a percepção sobre ascensão social.

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 31 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
Redes sociais distorceram visão sobre ascensão social

O diploma universitário segue como diferencial para a ascensão social no Brasil, mas seu peso mudou nas últimas décadas. A avaliação é da cientista política e professora da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo) Tathiana Chicarino. Para ela, a digitalização do mundo do trabalho e do consumo alterou a forma como as pessoas enxergam o que significa "melhorar de vida". "Ter um diploma universitário não vai te garantir sair daquele extrato socioeconômico que você está, mas a chance de você cair é maior se você não tiver. Então ele ainda é um ativo importante", afirmou em entrevista ao WW Especial.

Segundo Chicarino, a ascensão social hoje envolve renda, diploma e as transformações trazidas pela digitalização. Se antes o diploma levava a um emprego formal em empresa ou fábrica, agora boa parte do trabalho está "plataformizado". "Tem pessoas que trabalham, têm um trabalho formal, mas também complementam a sua renda nessas plataformas, seja vendendo coisas, seja trabalhando de entrega, seja de motorista de aplicativo e tantas outras", explicou.

A produção de conteúdo para plataformas, por influenciadores digitais, é outra frente de renda que cresceu, mas a promessa raramente se concretiza. "São pouquíssimos os que ganham dinheiro nesse contexto", disse, comparando ao futebol: muitos jogam, poucos viram milionários. Esse cenário revela uma percepção distorcida sobre as chances reais oferecidas pelas plataformas.

A definição do que é uma vida boa também mudou. Políticas públicas influenciam essa visão, especialmente entre mulheres, que "tendem a valorizar mais a política pública e também votar mais pensando nisso", afirmou. O consumo, potencializado pelas redes sociais, amplia a sensação de que é preciso ter e viajar mais. "Eu vejo na rede social que [alguém] está em Cancún, poxa, eu também quero ir para Cancún", exemplificou. A distância simbólica entre o que se tem e o que se deseja diminuiu, mas o acesso real não acompanhou.

O WW Especial, apresentado por William Waack, vai ao ar aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil. assinatura de plataformas de streaming

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