Mapa da campanha: Sudeste concentra 2 de cada 3 viagens
Os cinco candidatos à Presidência que lideram as pesquisas concentram a agenda no Sudeste: 24 das 33 viagens interestaduais desde 16 de agosto tiveram a região como destino, segundo levantamento da CNN Brasil.
Os cinco candidatos à Presidência que aparecem à frente nas pesquisas eleitorais rodam o Brasil há duas semanas em busca de melhorar o desempenho eleitoral. Para isso, concentram as agendas na região Sudeste, que conta com os maiores colégios eleitorais do país. Desde o dia 16 de agosto, os candidatos fizeram 33 viagens interestaduais para agendas de campanha; do total, 24 tiveram como destino o Sudeste, segundo levantamento da CNN Brasil.
O levantamento considera as viagens de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Não são considerados os deslocamentos dentro de um mesmo estado.
Lula mantém ritmo moderado de viagens, conciliando a campanha com o exercício da Presidência. A estratégia da equipe é concentrar os eventos em finais de semana e assegurar o discurso de que a prioridade do mandatário segue sendo governar. O petista deu a largada na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), berço político, e visitou Rio de Janeiro (RJ) e Belo Horizonte (MG), esta em duas ocasiões. Também foi duas vezes ao Nordeste, a Salvador (BA) e Natal (RN), região onde derrotou Jair Bolsonaro em 2022.
Flávio Bolsonaro escolheu Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Alagoas, além do Distrito Federal, base da família e da equipe. O roteiro ainda é concentrado no Sudeste e em Brasília, mas já contou com uma primeira incursão pelo Nordeste. As cidades cumprem funções diferentes: o Rio consolida a base; São Paulo busca escala; Minas testa estado decisivo; Brasília articula politicamente; e Alagoas destaca a terra do vice Alfredo Gaspar. O senador trabalha para evitar que a candidatura fique restrita à transferência do capital político de Jair Bolsonaro, com agendas de rua em mercados, áreas comerciais e cidades do interior.
Ronaldo Caiado concentrou a campanha no Sudeste, mas abriu o período com ofensiva em Goiás. São Paulo passou a concentrar boa parte da agenda, intercalada com o interior paulista e o Rio de Janeiro. Em São Paulo, apostou em encontros com comerciantes, empresários e representantes do agronegócio e setor financeiro, além de compromissos sobre saúde. Esteve em Campinas e Araçatuba e, no Rio, em sabatinas e encontros com entidades empresariais.
Romeu Zema adotou estratégia concentrada no Sudeste, com forte presença em São Paulo, onde passou por agendas com empresários, feirantes, motoboys e aposentados, abordando inflação, juros, bets, trabalho e Previdência. Seguiu para o Rio de Janeiro, passou por Belford Roxo, retornou a Minas Gerais para agendas em Teófilo Otoni e São Francisco, e encerrou o período em Porto Alegre e Canoas (RS).
Renan Santos distribuiu a agenda por diferentes regiões. Iniciou em São Paulo, foi a Brasília e ao Nordeste, passando pela Paraíba e Alagoas, com foco em segurança pública e combate ao crime organizado. Voltou a São Paulo, concentrou compromissos na capital, seguiu para o Rio e terminou em Belo Horizonte no dia 28. A movimentação mira pulverizar a candidatura e aumentar o conhecimento junto ao eleitorado, com agendas de rua, atos partidários, entrevistas e sabatinas. Na Paraíba, programou ações em João Pessoa; em Maceió, visitou área afetada por problemas de infraestrutura; em São Paulo, participou de ato pela desfavelização e do primeiro debate presidencial da Band.
A leitura dos dados indica que o Sudeste, por concentrar os maiores colégios eleitorais, tende a seguir como prioridade nas próximas semanas. A distribuição das agendas, porém, varia conforme o candidato: enquanto Zema e Caiado apostam quase tudo na região, Renan Santos busca pulverizar a presença para ganhar reconhecimento nacional. O efeito prático para o eleitor é a chance de ver os candidatos com mais frequência em estados como São Paulo, Rio e Minas, onde a disputa deve ser mais acirrada.