Flávio Bolsonaro sobre ida aos EUA: 'Foi minha tentativa de sensibilizar o cara'
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que sua ida aos Estados Unidos foi uma tentativa de sensibilizar o presidente Donald Trump sobre o tarifaço imposto a produtos brasileiros. A declaração foi dada em entrevista à imprensa nesta quarta-feira (28).
Flávio Bolsonaro sobre ida aos EUA: 'Foi minha tentativa de sensibilizar o cara' sobre tarifaço com Trump
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que sua ida aos Estados Unidos foi uma tentativa de sensibilizar o presidente Donald Trump sobre o tarifaço imposto a produtos brasileiros. A declaração foi dada em entrevista à imprensa nesta quarta-feira (28). 'Foi a minha tentativa de sensibilizar o cara', disse, referindo-se a Trump, ao explicar os motivos da viagem a Washington.
A declaração e o contexto da viagem
Flávio Bolsonaro viajou aos EUA em meio a tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O governo Trump anunciou tarifas sobre aço e alumínio brasileiros, o que gerou reações no Congresso e no setor produtivo nacional. O senador afirmou que buscou, em conversas com interlocutores próximos ao presidente americano, defender os interesses do Brasil.
'Não fui como representante oficial do governo, mas como político que acompanha o tema. Minha intenção foi mostrar que o tarifaço prejudica os dois lados', declarou. A viagem ocorreu sem agenda oficial com Trump, mas com encontros com assessores e membros do Departamento de Comércio dos EUA.
Repercussão política no Brasil
A declaração gerou reações diversas entre parlamentares. Deputados da base governista criticaram a iniciativa, classificando-a como 'descoordenação' da política externa. Já aliados de Flávio Bolsonaro defenderam a ação como 'legítima' e 'pragmática'.
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que 'não cabe a um parlamentar fazer o papel de diplomata sem aval do Itamaraty'. Já o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) disse que 'qualquer esforço para defender o Brasil é bem-vindo'.
O tarifaço e seus impactos
O tarifaço sobre produtos brasileiros foi anunciado em fevereiro de 2026, com alíquotas de 25% sobre aço e 10% sobre alumínio. A medida afeta diretamente exportações brasileiras, que somaram cerca de US$ 3,5 bilhões nesses setores em 2025, segundo dados do Ministério da Economia.
Empresas do setor siderúrgico já manifestaram preocupação com possíveis demissões e perda de competitividade. A Associação Brasileira de Siderurgia (Abraser) estima que o tarifaço pode reduzir as exportações em até 15% neste ano.
A tentativa de sensibilização
Flávio Bolsonaro detalhou que sua abordagem foi 'pessoal e direta'. 'Expliquei que o Brasil não é concorrente, é parceiro. Que o tarifaço atinge pequenas e médias empresas, que geram empregos', disse. O senador afirmou que não há previsão de nova viagem, mas que segue em contato com interlocutores americanos.
Posição do Itamaraty
O Ministério das Relações Exteriores informou, em nota, que 'a política comercial brasileira é conduzida pelo governo federal, com apoio do Congresso'. A pasta não comentou diretamente a declaração de Flávio Bolsonaro, mas reiterou que 'diálogos com governos estrangeiros devem ser coordenados'.
Diplomatas ouvidos reservadamente avaliam que a iniciativa do senador 'não atrapalha, mas também não resolve' a questão. 'O tarifaço é uma decisão de Trump, que só será revista com negociação direta entre os governos', afirmou um assessor do Itamaraty.
Próximos passos
O governo brasileiro estuda medidas de retaliação, como tarifas sobre produtos americanos, caso não haja avanço nas negociações. Uma comitiva do Ministério da Economia deve viajar a Washington nas próximas semanas para tratar do tema.
Para quem acompanha o assunto, a declaração de Flávio Bolsonaro revela a complexidade das relações bilaterais. A tentativa de sensibilização, mesmo que simbólica, mostra que o tarifaço mexe com interesses diretos de parlamentares e setores produtivos.
Perguntas Frequentes
Flávio Bolsonaro foi aos EUA como representante oficial?
Não. O senador afirmou que a viagem foi de caráter pessoal, sem mandato do governo brasileiro.
O que é o tarifaço?
É o conjunto de tarifas de importação impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros, como aço e alumínio, com alíquotas de 25% e 10%, respectivamente.
A declaração de Flávio Bolsonaro teve efeito prático?
Não há confirmação de que a conversa tenha alterado a posição do governo Trump. O Itamaraty segue conduzindo as negociações oficiais.
Quais setores brasileiros são mais afetados?
Os setores siderúrgico e de alumínio, que exportam cerca de US$ 3,5 bilhões anuais para os EUA.
O Brasil pode retaliar?
Sim. O governo estuda tarifas sobre produtos americanos, como medida de pressão comercial.
Como acompanhar as negociações?
Por meio dos comunicados oficiais do Ministério da Economia e do Itamaraty, além de declarações de parlamentares envolvidos.