Camisa de Neymar: polícia identifica 6 torcedores que hostilizaram criança
A Polícia Civil de São Paulo identificou seis torcedores que hostilizaram uma criança de oito anos que ganhou uma camisa do jogador Neymar após o clássico entre Corinthians e Santos, na Neo Química Arena, no último dia 30 de agosto, pelo Campeonato Brasileiro. A informação foi confirmada à CNN Brasil pelo delegado Carlos Saad, da Drade (Delegacia de Repressão e Análise aos Delitos de Intolerância Esportiva), vinculada à Deatur (Divisão Especializada de Atendimento ao Turista).
Segundo o delegado, as investigações avançaram com o auxílio de imagens das câmeras de segurança do estádio e de registros em vídeo feitos por jornalistas que cobriam a partida. Os envolvidos já foram formalmente qualificados no inquérito policial. Eles devem responder pelo crime de provocação de tumulto, tipificado na Lei Geral do Esporte. A polícia apresentará uma representação à Justiça para que os acusados fiquem afastados dos estádios por até três anos, impedidos de assistir aos jogos do Corinthians.
O jovem torcedor corintiano acompanhava o clássico na primeira fileira do setor Oeste do estádio e exibia um cartaz pedindo a camisa de Neymar, de quem é fã. Após o apito final, que terminou com vitória do Peixe por 1 a 0, o jogador viu o apelo, aproximou-se e entregou a camisa ao garoto. Como o clássico foi disputado sob a política de torcida única, apenas corintianos estavam presentes nas arquibancadas. A entrega da camisa do rival gerou revolta e agressões verbais de torcedores próximos, que passaram a xingar e ameaçar o menino e sua família.
Diante do risco de confronto e do temor manifestado pela criança, agentes da PM (Polícia Militar) e da segurança privada intervieram. O menino e seus familiares precisaram ser retirados do local sob escolta, deixando a arena por um acesso que cruzou o próprio gramado do estádio para garantir a integridade física do grupo.
Neymar falou sobre o momento com a criança depois da partida, defendendo a atitude do garoto. "Foi um menino que é corintiano, uma criança. Independentemente do time que torce, rival ou não, quando gosta de um atleta, pode me admirar em vários momentos, faz parte", afirmou. Ele completou que "a faixa dizia: 'Sou muito corintiano, mas seu fã'. Eu prometi e acabei dando. É um respeito não só pelo torcedor mirim, mas pelo corintiano".
Após o caso, o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) multou o Corinthians em R$ 10 mil. O clube foi enquadrado no artigo 213 do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva) por "deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir desordens".
Em nota emitida logo após o ocorrido, o Corinthians repudiou o comportamento dos torcedores e destacou que a agressividade contra uma criança ultrapassa os limites aceitáveis do futebol. A torcida organizada Gaviões da Fiel também divulgou um manifesto público repudiando veementemente qualquer intimidação contra menores. A diretoria da organizada entrou em contato direto com a família do garoto e o convidou a visitar a sede da entidade, reforçando que mantém "o compromisso histórico em proteger as novas gerações e repudiar atos covardes nos estádios".