Yellen vê ameaça à independência do Fed e alerta para inflação com petróleo
A ex-secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, afirmou que o Fed ainda age como banco central independente, mas está extremamente preocupada com tentativas de Trump de minar essa independência. Ela também alertou que o petróleo perto de US$ 100 pressiona a inflação.
A ex-secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, afirmou que o Federal Reserve (Fed) 'ainda está agindo como um banco central independente', mas disse estar 'extremamente preocupada' com tentativas do presidente dos EUA, Donald Trump, de minar essa independência. A declaração foi dada ao Broadcast durante entrevista coletiva no evento ExpertXP, em São Paulo. Yellen também alertou que o petróleo perto de US$ 100 por barril pressiona a inflação, em um cenário que considera 'muito arriscado'.
O que Yellen disse sobre a independência do Fed
Yellen citou a decisão da Suprema Corte americana no chamado 'caso Slaughter', que, segundo ela, praticamente encerrou a independência de agências regulatórias nos EUA, mas preservou o Fed como instituição especial, não sujeita à mesma regra. Ainda assim, ela apontou riscos concretos: Trump tentou destituir uma diretora do Fed e usou o Departamento de Justiça (DoJ) para ameaçar processo criminal contra o então presidente da instituição. 'Se coisas assim forem permitidas, isso eventualmente pode se tornar uma ameaça muito significativa', afirmou.
Petróleo e inflação: o alerta de Yellen
Sobre o petróleo, com o Brent perto de US$ 100 por barril em meio à escalada no Oriente Médio, Yellen disse que o aumento do preço é 'um fator muito importante' pressionando a inflação. Segundo ela, o Fed costuma olhar além de choques de oferta pontuais, que tendem a gerar inflação temporária, desde que as expectativas inflacionárias permaneçam ancoradas e não surja uma espiral de preços e salários, cenário que, segundo ela, ainda não se observa no mercado de trabalho americano.
Cinco anos de inflação acima da meta
A ex-secretária ponderou, porém, que os EUA já acumulam 'cinco anos seguidos' com inflação acima da meta do Fed, em meio a choques de oferta sucessivos - petróleo, tarifas e agora semicondutores -, o que torna o cenário 'muito arriscado'. O alerta de Yellen ocorre em um momento em que a inflação global segue pressionada, com impactos que podem se estender para economias como a brasileira.
Contexto da inflação no Brasil
Enquanto Yellen alerta para os riscos nos EUA, dados oficiais mostram a trajetória da inflação brasileira. Em janeiro de 2026, a variação mensal do IPCA foi 0,33%, segundo o Banco Central. Em fevereiro, subiu para 0,70%. Março registrou 0,88%, abril 0,67%, maio 0,58% e junho 0,16%. A sequência de choques de oferta globais, como os citados por Yellen, tem sido um dos fatores monitorados pelo Banco Central do Brasil.
O que esperar da política monetária americana
A fala de Yellen reforça o debate sobre os limites da independência do Fed em um contexto de pressão política. Para investidores e analistas, a sinalização de que o banco central americano ainda mantém sua autonomia operacional é um alívio, mas as ameaças concretas - como a tentativa de destituir uma diretora e o uso do DoJ - indicam que o risco persiste. A combinação de inflação persistentemente acima da meta e choques de oferta sucessivos torna a condução da política monetária nos EUA um ponto de atenção global.
Perguntas Frequentes
O que é o caso Slaughter mencionado por Yellen?
É uma decisão da Suprema Corte americana que, segundo Yellen, praticamente encerrou a independência de agências regulatórias nos EUA, mas preservou o Fed como instituição especial.
Trump tentou destituir uma diretora do Fed?
Sim, segundo Yellen, Trump tentou destituir uma diretora do Fed e usou o Departamento de Justiça para ameaçar processo criminal contra o então presidente da instituição.
Qual o preço atual do petróleo Brent?
Yellen mencionou que o Brent está perto de US$ 100 por barril, em meio à escalada no Oriente Médio.
Quantos anos de inflação acima da meta os EUA acumulam?
Segundo Yellen, os EUA acumulam 'cinco anos seguidos' com inflação acima da meta do Fed.
O que são choques de oferta sucessivos?
Yellen citou petróleo, tarifas e semicondutores como exemplos de choques de oferta que pressionam a inflação americana.