MPMG cumpre 14 mandados contra grupo que clonava IPVA
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deflagrou na manhã desta quinta-feira, 3 de setembro, a Operação Contramão, contra organização criminosa especializada em fraudes no pagamento do IPVA. A ação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos (Gaeciber) e pela 11º Promotoria de Justiça com atribuições no Combate ao Crime Organizado de Belo Horizonte, cumpriu 14 mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão domiciliar.
A investigação apura crimes de estelionato qualificado por fraude eletrônica e de organização criminosa. Os suspeitos criavam sites falsos com aparência idêntica ao portal oficial do governo estadual, para que contribuintes, acreditando estar pagando o IPVA, efetuassem o pagamento via Pix para contas controladas pelo grupo. Há indícios de que o esquema opera desde 2024, repetindo-se a cada ciclo de vencimento do imposto.
A operação foi batizada de Contramão em referência ao método do grupo, que replicava o portal oficial do Governo de Minas. Os sites falsos usavam domínios com termos como "gov", "detran" e "minasgerais", e o QR Code gerado transferia o valor para empresas de fachada com nomes como "pagamentos de taxas", "gestão de tarifas" e "administrativo veicular". Várias funcionaram por menos de cinco meses, e os recursos eram fracionados entre contas pessoais em Goiás, Maranhão, São Paulo e no entorno do Distrito Federal.
Os mandados foram expedidos pela Vara das Garantias da Comarca de Belo Horizonte. As ações ocorreram em Aparecida de Goiânia, Valparaíso de Goiás e Luziânia (GO), Imperatriz e São Luís (MA), e São Paulo e Ribeirão Preto (SP). A operação resultou na prisão de 10 investigados e na apreensão de celulares, notebooks, pendrives, cartões bancários, 11 papelotes de cocaína e um simulacro de arma de fogo.
O promotor de Justiça e coordenador do Gaeciber, André Salles Dias Pinto, afirmou que "as fraudes cibernéticas se alimentam da confiança que o cidadão deposita nos canais oficiais". Segundo ele, quando o criminoso clona o portal do Estado, "não subtrai apenas o valor do imposto: corrói a relação entre o contribuinte e a administração pública". Ele destacou que a integração entre Ministério Público e polícias no GAECIBER permite responder "na velocidade que o crime digital impõe".
A operação contou com o apoio de órgãos de Goiás, São Paulo e Maranhão, incluindo CyberGaeco e Gaeco Entorno do MPGO, CyberGaeco do MPSP, e Gaeco e CAEI do MPMA. O material apreendido será analisado, e as buscas pelos demais investigados foragidos continuam. O feito tramita sob sigilo.