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Trânsito de Vênus em Escorpião: intensidade e transformação

Vênus em Escorpião começa em 10 de setembro de 2026, às 5h06 (horário de Brasília), e promete um dos períodos mais densos do ano para o afeto. O planeta do amor entra no signo da profundidade e da intimidade, e, em 2026, o trânsito tem uma particularidade: acontece duas vezes. A primeira passagem vai de 10 de setembro a 25 de outubro, quando Vênus, já retrógrado, recua para Libra. A segunda começa em 4 de dezembro e segue até 7 de janeiro de 2027.

Diferente de um trânsito comum de Vênus, que dura cerca de quatro semanas, este se estende por quase quatro meses, com um intervalo no meio. O motivo é a retrogradação, que acontece apenas a cada 18 meses aproximadamente. Em 2026, isso ocorre justamente em Escorpião. Quem começar a observar desde já tende a chegar mais preparado em cada etapa.

Na prática, o assunto abre em setembro, entra em revisão em outubro, é interrompido em novembro e volta para conclusão em dezembro. Vênus rege o afeto, o prazer, os valores e a forma como cada pessoa se vincula. Em Escorpião, o planeta perde o conforto que tem em Libra e passa a operar em outro registro, mais silencioso e mais exigente. Para Escorpião, um vínculo só se sustenta quando existe profundidade e magnetismo. Meia entrega não funciona. Por isso, o período tende a intensificar o desejo e a trazer à tona o que estava sendo evitado.

A chegada de Vênus a Escorpião acontece logo após os eclipses de agosto, que seguem ativando pontos sensíveis do céu. Eclipse costuma trazer à tona o que já estava no limite. A combinação sinaliza um período com mais términos do que a média, inclusive de relações longas. Escorpião não trabalha bem com meio-termo, e o que vinha se sustentando por inércia tende a pedir definição. Encerramento aqui não significa fracasso. Fim de ciclo é parte do funcionamento do signo, e o cuidado principal é não sair do processo carregando mágoa por tempo indeterminado.

A partir de 3 de outubro, às 4h15, Vênus inicia o movimento retrógrado a 8°29′ de Escorpião. Essa é a parte mais delicada do trânsito e também a mais fértil. Não são todos os anos que temos uma retrogradação de Vênus. Em 2026, o planeta do amor retrograda em Escorpião, e isso abre uma chance concreta de rever os acordos, rever o que dá prazer e rever o próprio valor dentro das relações. O que costuma acontecer é uma perda temporária de graça. Aquilo que antes agradava passa a não agradar mais. A sensação inicial pode ser de desgosto ou de estranhamento, principalmente em relação à autoestima.

Esse desconforto tem uma função. Ele é o que abre espaço para experimentar coisas novas, seja em um relacionamento já existente, seja em como você se relaciona com o próprio corpo e com o próprio desejo. Em 24 de outubro começa também o Mercúrio retrógrado em Escorpião, que segue até 13 de novembro. Os dois períodos se sobrepõem por algumas semanas. Essa sobreposição pede mais cuidado com a fala e com a forma de se expressar.

Existe uma linha fina entre profundidade e crise. Escorpião tem um funcionamento de oito ou oitenta, e isso pode confundir intensidade com confusão. O astrólogo Yub Miranda descreve bem o encadeamento que se repete nesses períodos: uma barreira aparece, a barreira gera frustração, e a reação instintiva diante da frustração costuma ser a agressividade. O ponto é que o livre-arbítrio precisa ser conquistado e depende de consciência. Sem consciência, a pessoa desconta em quem está por perto uma raiva que nasceu em outro lugar.

Em Vênus em Escorpião, isso aparece em uma cena bem específica. O ciúme surge, a pessoa se cala para não brigar, o ressentimento se acumula, e a explosão chega depois, desproporcional e no assunto errado. A saída que a Astrologia sugere aqui é a via do meio. Nem engolir, nem explodir. Nomear: não gostei, me senti ferido, o que podemos ajustar para isso não se repetir?

Esse é o trabalho central do período. O quanto o desenvolvimento da sua autoestima sustenta a qualidade das suas relações é uma pergunta que atravessa todo esse trânsito, porque uma coisa está diretamente associada à outra. Existe outra face dessa coragem marcial. Escorpião é regido por Marte, mas é signo de Água, então a coragem que ele pede aponta para dentro. Coragem, aqui, é se entregar, aceitar cumplicidade e sustentar intimidade sem tentar controlar o resultado. Para quem quer aprofundar um vínculo, esta é a temporada mais indicada do ano.

Este é um período de magnetismo alto, em que a sedução ganha força. O desejo circula com facilidade, mas o cenário pede clareza sobre as próprias intenções. Durante o retrógrado, atenção redobrada com retornos do passado. Nem todo reencontro dessa fase é produtivo, e a intuição costuma dar o recado antes da razão. Se a relação tem bases firmes, esse trânsito tende a aprofundar a conexão emocional e sexual. Se existem questões mal resolvidas, elas ganham volume e pedem enfrentamento.

Eu, como repórter que cobre o interior de Minas, vejo essa dinâmica também na roça: relação que se sustenta por inércia, como cerca velha, uma hora cai. O que esse trânsito pede é o mesmo que o trato com a terra: olhar o que está plantado, arrancar o que não dá mais fruto e adubar o que merece crescer. Quem vive aqui sabe que colheita boa exige cuidado na época certa. Agora é a época de decidir o que fica e o que vai.

Inácio Bicalho
Repórter de Interior e Agro
Do Norte de Minas, cobre o sertão mineiro, a seca, o pequeno produtor e as pautas que a capital ignora.
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