Tarifaço: pacote de R$ 18,5 bi é band-aid, diz ex-secretário
O governo brasileiro anunciou R$ 18,5 bilhões para setores afetados pelo tarifaço dos EUA. Para Lucas Ferraz, ex-secretário de Comércio Exterior, a medida é mais um band-aid. Ele alerta para o atraso do Brasil em acordos comerciais e a incerteza nas relações bilaterais.
Tarifaço: pacote de R$ 18,5 bi é band-aid, diz ex-secretário
O governo brasileiro anunciou um pacote de R$ 18,5 bilhões para setores afetados pelo tarifaço dos EUA. Para Lucas Ferraz, ex-secretário de Comércio Exterior, a medida é mais um band-aid. Ele critica a falta de clareza nos critérios e aponta que o Brasil paga o preço do atraso.
O que é o pacote de R$ 18,5 bilhões?
O governo brasileiro anunciou um pacote de R$ 18,5 bilhões destinado a setores afetados pelo tarifaço dos EUA. Lucas Ferraz, ex-secretário de Comércio Exterior, classificou a medida como "mais um band-aid que o governo brasileiro tenta colocar" na relação bilateral com os norte-americanos.
Ferraz reconheceu que o volume anunciado é generoso. Ele ponderou que os critérios de liberação dos recursos e o eventual descontinuamento do programa ainda não estão claros.
"Eu entendo que é um pacote que vai dar algum alívio de curto prazo para as empresas exportadoras brasileiras", afirmou. Ele ressaltou que o número de empresas afetadas desta vez é menor do que o registrado em julho do ano passado.
Por que Ferraz chama a medida de band-aid?
Para Ferraz, o pacote não resolve a raiz do problema. Desde 2 de abril de 2025, as tarifas enfrentadas pelos exportadores brasileiros foram alteradas seis vezes, numa média de três a quatro meses. "O nível de incerteza que se coloca na relação do Brasil com os Estados Unidos é sem precedentes", afirmou.
O comércio bilateral tem característica de comércio intra-indústria, envolvendo empresas multinacionais brasileiras e americanas em cadeias de valor. Os dados mais recentes apontam queda de 12% nas exportações e importações brasileiras com os EUA no período.
O Brasil paga o preço do atraso, diz ex-secretário
Ao ser questionado sobre como o Brasil poderia se reposicionar em cadeias globais de valor, Ferraz foi enfático: "O Brasil agora, infelizmente, paga o preço do seu atraso." Ele citou que as tarifas de importação brasileiras estão entre as maiores do mundo, com média de 12% a 13%, além de picos tarifários e barreiras não tarifárias.
Segundo o Banco Mundial, o Brasil é o segundo país em restritividade na aplicação de barreiras não tarifárias. Somando os equivalentes tarifários das barreiras técnicas, sanitárias e fitossanitárias, o custo efetivo pode superar 22%.
Acordos comerciais: Brasil está atrasado
Ferraz também apontou que o Brasil exporta com tarifa preferencial para apenas 15% de seus mercados de destino. Com os acordos recentemente anunciados com Singapura, EFTA e União Europeia, esse índice subiria para 30%, ainda muito distante da média mundial, que gira entre 70% e 80%.
"Esse debate está muito atrasado aqui no Brasil, e eu diria até que agora piorou, porque agora se confunde também o contexto geopolítico", declarou. Ele alertou que alguns setores chegaram a pedir ainda mais proteção comercial ao governo, o que, na sua avaliação, só agravaria o problema.
Dependência da China e o papel dos EUA
Diante da crescente dependência comercial em relação à China, que hoje responde por cerca de 30% das exportações brasileiras, enquanto os EUA caíram de 25% para menos de 9%, Ferraz defendeu que o Brasil precisa dinamizar sua agenda de acordos comerciais.
Ele também propôs uma reforma da tarifa externa comum do Mercosul, com mais flexibilidade e abertura para negociações unilaterais. Ferraz citou que Uruguai e Argentina já trilham esse caminho. "O Brasil e os seus parceiros comerciais precisam rediscutir o bloco e modernizá-lo para torná-lo mais dinâmico", concluiu.
Perguntas Frequentes
O que é o tarifaço dos EUA?
É o aumento de tarifas de importação imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que vem sendo alterado seis vezes desde 2 de abril de 2025.
Qual o valor do pacote anunciado pelo governo?
O governo brasileiro anunciou R$ 18,5 bilhões para setores afetados.
Quem é Lucas Ferraz?
Lucas Ferraz é ex-secretário de Comércio Exterior e criticou a medida como um band-aid.
Por que Ferraz critica o pacote?
Ele diz que a medida não resolve o problema estrutural, aponta falta de clareza nos critérios e o atraso do Brasil em acordos comerciais.
Qual a queda no comércio bilateral Brasil-EUA?
Os dados mais recentes apontam queda de 12% nas exportações e importações brasileiras com os EUA.
O que Ferraz propõe para o futuro?
Ele defende reforma da tarifa externa do Mercosul, mais acordos comerciais e modernização do bloco.