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Tarifaço: Flávio diz que tentou "sensibilizar" Trump em encontro nos EUA

ResumoO deputado Flávio de Melo (Republicanos-MG) tentou sensibilizar o ex-presidente Donald Trump sobre os impactos do tarifaço ao aço brasileiro durante encontro em Washington. A reunião, articulada por setores do agronegócio e da indústria, ocorreu na última semana.

O deputado Flávio de Melo (Republicanos-MG) afirmou que tentou sensibilizar o ex-presidente Donald Trump sobre os impactos do tarifaço ao aço brasileiro, durante encontro em Washington. A reunião, ocorrida na última semana, foi articulada por setores do agronegócio e da indústria

Ronaldo Pimenta
Ronaldo Pimenta Repórter de Esporte Mineiro · 16 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Tarifaço: Flávio diz que tentou "sensibilizar" Trump em encontro nos EUA

O deputado federal Flávio de Melo (Republicanos-MG) afirmou que tentou sensibilizar o ex-presidente Donald Trump sobre os impactos do tarifaço ao aço brasileiro, durante um encontro realizado em Washington na última semana. A reunião, articulada por setores do agronegócio e da indústria mineira, ocorreu em meio à escalada de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos siderúrgicos do Brasil.

Segundo Flávio, a conversa com Trump foi franca e direta, com o deputado mineiro apresentando dados sobre a importância do aço brasileiro para a economia dos dois países. "Mostrei que o tarifaço prejudica não só o Brasil, mas também empresas americanas que dependem do aço nacional", disse o parlamentar, em nota divulgada pela assessoria. O encontro, que durou cerca de 40 minutos, foi um dos primeiros de uma série de diálogos que a bancada mineira pretende manter com lideranças internacionais.

A comitiva mineira, que incluiu representantes da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) e da Associação Comercial de Belo Horizonte, levou ao encontro um relatório técnico sobre os efeitos das tarifas. O documento aponta que, em 2025, as exportações de aço de Minas Gerais para os EUA caíram 12% em relação ao ano anterior, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX). A queda, segundo o relatório, já resultou na perda de cerca de 1.500 empregos diretos na indústria siderúrgica mineira.

Trump, por sua vez, ouviu as ponderações, mas não se comprometeu com mudanças imediatas. Fontes da comitiva relataram que o ex-presidente mencionou a necessidade de equilibrar a balança comercial americana, mas reconheceu a qualidade do aço brasileiro. "Ele foi receptivo, mas não deu garantias", resumiu um dos integrantes da delegação, que pediu anonimato. O tarifaço, que entrou em vigor em janeiro de 2026, impõe uma sobretaxa de 25% sobre o aço importado, afetando diretamente estados como Minas Gerais, maior produtor do Brasil.

O impacto do tarifaço na economia mineira

Minas Gerais responde por cerca de 35% da produção nacional de aço, com destaque para as usinas de Ipatinga, Ouro Branco e Sete Lagoas. O tarifaço americano, anunciado ainda em 2025, já provocou uma retração de 8% na produção do estado no primeiro trimestre de 2026, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda afeta não só as siderúrgicas, mas também a cadeia de mineração, que fornece minério de ferro para as usinas.

A FIEMG estima que, se as tarifas se mantiverem, Minas Gerais pode perder até R$ 2,5 bilhões em receitas de exportação até o final de 2026. O presidente da entidade, Flávio Roscoe, reforçou a necessidade de diálogo diplomático. "Não podemos depender apenas de um mercado. Precisamos diversificar nossos parceiros comerciais, mas o tarifaço é um golpe duro", afirmou Roscoe, em entrevista coletiva.

A articulação política em Brasília

De volta ao Brasil, Flávio de Melo já articula uma reunião com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para discutir os próximos passos. O deputado também pretende levar o assunto à Comissão de Relações Exteriores da Câmara, onde deve propor uma audiência pública com representantes do setor siderúrgico. "Não podemos esperar que o tarifaço se resolva sozinho. Precisamos de uma estratégia coordenada entre governo e setor produtivo", disse Flávio.

A bancada mineira no Congresso, que reúne 53 deputados e 3 senadores, já sinalizou apoio à iniciativa. O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado, também se manifestou sobre o tema, defendendo que o Brasil busque alternativas na Organização Mundial do Comércio (OMC). "O tarifaço fere acordos internacionais. Vamos recorrer", afirmou Pacheco, em nota.

O que esperar dos próximos meses

Diplomatas brasileiros em Washington avaliam que a reunião de Flávio com Trump foi um passo importante, mas insuficiente para reverter o tarifaço. A expectativa é que o governo Lula intensifique as negociações bilaterais, possivelmente com uma visita do presidente ao Congresso americano. Enquanto isso, as siderúrgicas mineiras já estudam redirecionar parte da produção para o mercado asiático, especialmente China e Índia.

Para o deputado Flávio de Melo, o encontro com Trump deixou uma porta aberta. "Ele sabe da importância do Brasil para a economia global. Agora é continuar o trabalho de convencimento", concluiu. O tarifaço, no entanto, segue como um dos maiores desafios para a indústria mineira em 2026.

Perguntas Frequentes

O que é o tarifaço?

O tarifaço é a sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre o aço importado, afetando diretamente a produção brasileira, especialmente de Minas Gerais.

Quem é Flávio de Melo?

Flávio de Melo é deputado federal pelo Republicanos-MG, conhecido por sua atuação em defesa da indústria mineira e do agronegócio.

O encontro com Trump foi oficial?

Não, o encontro foi articulado por entidades privadas, sem caráter diplomático oficial, mas com aval do governo brasileiro.

O tarifaço pode ser revertido?

Sim, há possibilidade de negociação bilateral ou recurso na OMC, mas não há prazo definido para mudanças.

Como o tarifaço afeta o emprego em Minas?

Estima-se que 1.500 empregos diretos já foram perdidos na siderurgia mineira, com risco de mais cortes se as tarifas se mantiverem.

Qual o próximo passo de Flávio?

O deputado vai se reunir com o chanceler Mauro Vieira e propor audiência pública na Câmara sobre o tema.

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