Serviços

Rússia diz ter detido homem que espionava diplomatas britânicos

ResumoO FSB, serviço de segurança interna da Rússia, anunciou em 10 de julho de 2025 a detenção de um ex-segurança da Embaixada do Reino Unido em Moscou acusado de coletar dados pessoais de diplomatas britânicos. Segundo o FSB, o detido trabalhava para a inteligência da Ucrânia.

O FSB, serviço de segurança interna da Rússia, afirmou nesta quinta-feira (10) ter detido um ex-segurança da Embaixada do Reino Unido em Moscou que coletava dados pessoais de diplomatas britânicos. Segundo a agência, ele trabalhava para a inteligência da Ucrânia.

Cláudia Resende
Cláudia Resende Repórter de Saúde e Educação · 10 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Rússia diz ter detido homem que espionava diplomatas britânicos

O serviço de segurança interna da Rússia, FSB, informou nesta quinta-feira (10) ter detido um ex-segurança da Embaixada do Reino Unido em Moscou que coletava dados pessoais de diplomatas britânicos. Segundo a agência, ele trabalhava para a inteligência da Ucrânia.

A informação foi divulgada pelo próprio FSB e ainda não foi confirmada pelo Reino Unido nem pela Ucrânia. Por isso, todo o episódio deve ser lido com cautela: trata-se da versão apresentada por uma das partes envolvidas em um conflito diplomático aberto desde 2022.

O que o FSB alega

De acordo com a agência russa, a coleta de dados fazia parte dos preparativos para uma suposta operação de falsa bandeira da Ucrânia contra funcionários diplomáticos britânicos na Rússia. O objetivo, segundo a versão russa, seria posteriormente acusar Moscou de ações hostis.

A acusação não foi acompanhada de apresentação pública de provas, e o governo britânico não se pronunciou sobre o caso até a publicação desta reportagem.

Por que isso pesa nas relações entre Rússia e Reino Unido

As relações entre os dois países se deterioraram fortemente desde que Moscou iniciou sua ofensiva militar na Ucrânia, em 2022. O governo russo considera o Reino Unido o principal apoiador da Ucrânia no conflito, por fornecer armas, incluindo mísseis e drones ao exército ucraniano.

No início de setembro, o Reino Unido convocou o encarregado de negócios da Rússia para condenar uma tentativa de ataque com drone no aeroporto de Leipzig, na Alemanha, no mês anterior. O governo britânico tomou a medida depois que o governo alemão afirmou que a Rússia foi responsável pelo incidente. Medida semelhante foi adotada pela União Europeia, Alemanha, Bélgica e Holanda.

"O Reino Unido manifesta total solidariedade à Alemanha após o ataque flagrante e imprudente da Rússia ao aeroporto de Leipzig", afirmou um porta-voz, acrescentando que as tentativas russas de enfraquecer a determinação dos aliados da Ucrânia eram "inúteis".

"Este é o mais recente de um padrão claro de tentativas do Estado russo de minar nossa segurança coletiva e é por isso que hoje convocamos o encarregado de negócios da Rússia para condenar o ataque nos termos mais fortes", disse.

A Rússia nega as acusações, afirmando que são "completamente fabricadas". A embaixada russa em Londres disse que a convocação feita pelo Reino Unido fazia parte de uma "provocação coordenada".

"Essas acusações infundadas e absurdas, construídas em um estilo britânico surpreendentemente familiar, foram categoricamente rejeitadas", afirmou a embaixada em comentários traduzidos publicados no Telegram, acrescentando que medidas de escalada adotadas pelo Reino Unido ou por outros países europeus receberiam uma "resposta adequada e calibrada".

Embaixador afastado e nomeação pendente

A Rússia afastou o embaixador do país no Reino Unido e afirma que anunciará "no devido tempo" um novo encarregado em Londres.

Andrei Kelin deixou o cargo em julho, depois de mais de sete anos como embaixador. A saída provocou especulações na imprensa de que Moscou estaria rebaixando o nível das relações diplomáticas com o Reino Unido, hipótese negada pela embaixada russa.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirma que a nomeação de um novo embaixador é prerrogativa do presidente Vladimir Putin e que o processo de escolha não é uma questão pública.

Segundo Zakharova, Kelin permaneceu no cargo durante um período extremamente difícil, "diante dos esforços britânicos para desmantelar completamente as relações bilaterais".

// Leia também

Publicidade