Portal Notícias MG 🔍
Portal Notícias MG
Editorias
Institucional
Serviços

Rodrigo Balassiano vê crédito privado perto da economia produtiva

O avanço do crédito privado no Brasil está aproximando o mercado de capitais da realidade das empresas e dos ciclos da economia produtiva. Para Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, entender como cada setor gera receita, administra prazos e transforma vendas futuras em recursos disponíveis passou a ser tão relevante quanto dominar os instrumentos financeiros. A instituição reúne mais de 550 fundos e supera R$ 50 bilhões sob administração e custódia.

Nesse movimento, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, os FIDCs, ganharam espaço. Essas estruturas permitem incorporar determinados recebíveis ao mercado de capitais, criando alternativas para empresas que precisam transformar recursos previstos para o futuro em liquidez no presente. Muitas companhias vendem antes de receber: uma indústria entrega mercadorias e recebe semanas ou meses depois; prestadores de serviço executam contratos com pagamentos distribuídos ao longo do tempo. Essa distância entre a geração da receita e a entrada do dinheiro no caixa abre espaço para estruturas baseadas em direitos creditórios, e o capital antecipado pode voltar à atividade econômica, financiando novas vendas, equipamentos, expansão e capital de giro.

Análise da origem do crédito e ciclos setoriais

Para Balassiano, o crescimento dessas estruturas amplia a necessidade de conhecer a fundo a origem dos créditos. Não basta identificar a existência de um recebível: é preciso entender como ele foi gerado, qual a capacidade financeira da empresa responsável por sua origem e como esses ativos se comportam ao longo do tempo. A análise ganha peso quando o crédito privado alcança atividades com ciclos econômicos distintos. Uma empresa agrícola não tem a mesma dinâmica de uma companhia de tecnologia. Uma indústria, uma rede de ensino ou uma locadora apresentam particularidades próprias na geração de caixa, o que influencia prazos, concentrações, riscos e o desenho dos controles de cada operação.

Due diligence, tecnologia e Resolução CVM 175

A due diligence passou a ocupar papel central. Antes da entrada de determinados ativos em uma estrutura, características do originador podem precisar ser avaliadas: capacidade de gerar o volume de recebíveis apresentado, histórico, concentração de clientes, oscilações de faturamento e comportamento dos créditos depois de sua origem. O acompanhamento não termina quando a empresa ingressa na operação, já que a situação de um negócio muda com o tempo. Para Balassiano, o amadurecimento da indústria passa pela capacidade de transformar a análise de risco de uma fotografia isolada em acompanhamento contínuo. A tecnologia entra nesse processo: sistemas podem realizar conciliações, comparar registros, identificar exceções e acompanhar limites, deixando aos especialistas os casos que exigem interpretação. Na visão do executivo, automação e conhecimento técnico não são concorrentes, e a Resolução CVM 175 reforçou a necessidade de traduzir mudanças regulatórias em processos, controles e sistemas.

Quanto maior a presença dos FIDCs no financiamento das empresas, maior a demanda por governança, transparência e monitoramento. Para Balassiano, uma indústria dessa dimensão deixa a posição periférica e passa a integrar de forma mais relevante a infraestrutura de financiamento do país. O desafio do próximo ciclo não está apenas em ampliar o volume de recursos, mas em compreender as particularidades das atividades financiadas e administrar estruturas maiores sem perder qualidade, controle e confiança. como funcionam os FIDCs

Marília Stefani
Repórter de Segurança Pública
De Betim, cobre segurança pública em MG com dado, contexto e cuidado para não alimentar o pânico.
Ver todos os artigos →