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Redata volta à pauta e deve ser votado no Congresso

O projeto que estabelece um programa de incentivos a data centers no Brasil deve ser votado nesta semana no Congresso Nacional. Segundo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o texto que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata) volta à pauta depois de meses parado na Casa Alta.

O Redata suspende o Imposto de Importação para equipamentos usados nos data centers e prevê a substituição do ICMS pelo IBS até 2033. Para garantir impacto no mercado interno, o projeto reserva pelo menos 10% do processamento para o país e exige que 2% do valor investido vá para pesquisa e desenvolvimento, com foco no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

O avanço da pauta foi costurado em um almoço entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O relator no Senado é Cid Gomes (PSB-CE), estado que aprovou, em julho, regras específicas para licenciamento ambiental de data centers. Na última quinta-feira (27), o governo autorizou a empresa francesa Voltalia a instalar um data center de 322,5 MW no complexo do Pecém, no Ceará.

O aumento de isenções, porém, choca com um texto aprovado no ano passado que reduz em 10% os benefícios federais de diversos setores. A Receita Federal estima impacto de R$ 5,2 bilhões em 2026, R$ 1 bilhão em 2027 e R$ 1,05 bilhão em 2028. Entidades do setor produtivo defendem o projeto com base em estudo da Fundação Getúlio Vargas: um único data center de IA pode mobilizar R$ 25 bilhões, gerar 12,5 mil empregos diretos e indiretos e criar 1.860 postos permanentes.

Especialistas em pesquisa e tecnologia alertam para riscos ambientais. Em agosto, a Comissão de Ciência e Tecnologia ouviu institutos que citaram o lixo eletrônico gerado pela troca de hardwares e o consumo de água: um data center de médio porte pode usar até 110 milhões de galões por ano, segundo o Environmental and Energy Study Institute. Rárisson Sampaio, do Inesc, afirmou que empresas e governo não apresentam resultados dos impactos, apenas estudos prévios.

O Redata já havia sido criado por medida provisória no ano passado, que perdeu validade em fevereiro. O tema voltou como projeto de lei do ministro José Guimarães, agora relançado no esforço concentrado.

Marília Stefani
Repórter de Segurança Pública
De Betim, cobre segurança pública em MG com dado, contexto e cuidado para não alimentar o pânico.
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