Preço dos grãos recuam em meio a notícias sobre guerra no Mar Negro
Contratos futuros do trigo recuaram 18,25 centavos em Chicago nesta quarta-feira (09), com o mercado avaliando esforços diplomáticos para encerrar a guerra da Rússia contra a Ucrânia e as interrupções no Mar Negro.
Os contratos futuros do trigo negociados em Chicago caíram nesta quarta-feira (09), à medida que o mercado avaliava os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra da Rússia contra a Ucrânia, diante das contínuas interrupções nas exportações do Mar Negro. A realização de lucros, após uma alta constante nos preços, também pesou, segundo analistas.
O trigo mais negociado na bolsa de Chicago (CBOT) fechou com queda de 18,25 centavos, a US$7,2875 por bushel, mantendo-se abaixo da máxima de três anos e meio, de US$7,95, atingida na semana passada. O milho caiu 5,75 centavos, para US$5,2775 o bushel, enquanto a soja recuou 6,75 centavos, para US$13,095 o bushel. Tanto o milho quanto a soja atingiram suas maiores cotações em cerca de três anos na semana passada, impulsionados por preocupações com a produtividade nos EUA e pelas interrupções no Mar Negro.
O que explica a queda desta quarta-feira
Os preços do trigo subiram no início do dia, quando notícias de um ataque ucraniano ao porto russo de Novorossiysk voltaram a colocar em foco as interrupções causadas pela guerra no comércio do Mar Negro. A Ucrânia atacou alvos em Novorossiysk, incluindo uma base naval e um terminal de carregamento de petróleo, disse o presidente Volodymyr Zelenskiy. Os operadores citaram rumores não confirmados de que a infraestrutura de grãos no porto também teria sido danificada.
No entanto, comentários do Kremlin afirmando que a Rússia espera que as negociações mediadas pelos EUA sejam retomadas em breve, e que considera Abu Dhabi o local preferencial para tais negociações, voltaram a colocar o foco nos esforços diplomáticos. Esse movimento de vaivém entre tensão geopolítica e sinalização diplomática tem marcado a volatilidade recente das commodities agrícolas.
Por que isso importa para o mercado brasileiro
Para o produtor e o consumidor brasileiro, a queda em Chicago não significa alívio imediato nos custos. O Brasil importa parte do trigo que consome, e o preço internacional é apenas um dos componentes da formação do custo interno, ao lado do câmbio e do frete. Ainda assim, a acomodação dos contratos futuros reduz a pressão sobre as cotações domésticas no curto prazo.
O milho e a soja registraram queda com as atenções voltadas para as previsões do Departamento de Agricultura dos EUA, que serão divulgadas nesta sexta-feira, e que servirão como indicador dos danos causados pelas condições climáticas às safras do Meio-Oeste. Esse relatório costuma orientar a posição dos fundos e pode devolver volatilidade ao mercado na próxima semana.
A medida de política pública em discussão segue sendo a retomada das negociações mediadas pelos EUA, com Abu Dhabi apontada pelo Kremlin como local preferencial. Enquanto não houver definição sobre o corredor de exportação do Mar Negro, o mercado deve continuar alternando entre o prêmio de risco geopolítico e a realização de lucros.