Preço global dos alimentos sobe 1,9% em agosto, puxado por açúcar e cereais
O preço internacional dos alimentos voltou a subir em agosto, puxado pelo açúcar e pelos cereais. O índice de preços da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) atingiu 133,3 pontos, alta de 1,9% em relação a julho, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (4). Na comparação com agosto de 2025, o índice ficou 2,5% acima. Apesar da recuperação, os preços ainda estão 16,8% abaixo do pico de março de 2022, quando o mercado foi pressionado pela pandemia e, depois, pela guerra entre Rússia e Ucrânia.
O maior avanço veio do açúcar, cujo índice subiu 11,9% no mês, para 106,4 pontos, o maior nível desde junho de 2025. A FAO atribui o movimento ao aumento das preocupações com a oferta mundial na safra 2026/27. O clima quente e seco prejudicou a produção de beterraba na União Europeia, enquanto os efeitos do El Niño afetaram as expectativas para produtores asiáticos. O Brasil também pressiona o mercado: a redução da produção na principal região produtora, o Centro-Sul, contribuiu para uma oferta global mais apertada. A decisão da Índia de permitir importação de açúcar bruto sem tarifa também sustentou as cotações.
O índice de cereais avançou 2,2%, para 116,3 pontos, o maior desde maio de 2024. O trigo subiu 2,6% no mês e está 15% acima do nível de um ano antes, influenciado por problemas logísticos no Mar Negro e pela desvalorização do dólar. O milho subiu 2,5%, com preocupações sobre a produtividade no Corn Belt dos EUA e a demanda dos setores de etanol e ração animal. O sorgo subiu 3,9%, a cevada 2,6%, e o arroz 0,5%.
O índice de óleos vegetais subiu 0,6%, para 196,9 pontos, a terceira alta mensal consecutiva, puxada pelos óleos de palma e soja. As carnes subiram 1%, com alta para aves, suínos e ovinos, enquanto a carne bovina recuou, pressionada pela aproximação do limite da cota de importação da China. Os lácteos avançaram 2,3%, interrompendo três meses de queda, com destaque para o leite em pó desnatado (3%).
Para o consumidor brasileiro, a alta global pode pressionar os preços internos de itens como açúcar e derivados de trigo, embora o câmbio e a safra local também influenciem. Acompanhar o índice da FAO ajuda a antecipar tendências, mas a variação nos supermercados depende de fatores domésticos. Em caso de dúvida sobre preços, o consumidor pode consultar os canais oficiais de defesa do consumidor e comparar valores entre estabelecimentos.