Preço futuro do boi gordo fecha estável na B3 após forte alta
Os contratos futuros do boi gordo fecharam a sessão desta segunda-feira (31) com pequenas oscilações na B3, em movimento de acomodação após a forte alta de agosto. Setembro caiu 0,15%, para R$ 357,10 por arroba.
Os contratos futuros do boi gordo encerraram a sessão desta segunda-feira (31) com pequenas oscilações na B3, em um movimento de acomodação após a forte valorização registrada ao longo de agosto. O vencimento de setembro terminou o pregão cotado a R$ 357,10 por arroba, com queda de 0,15%. Já o contrato de outubro, um dos mais negociados da curva, recuou 0,11%, para R$ 367,80 por arroba.
Segundo Felipe Fabbri, da Scot Consultoria, o mercado futuro segue firme e com viés de alta, mas apresentou comportamento mais estável ao longo do dia. Para o analista, o anúncio de alívio tarifário nos Estados Unidos não produziu, até o momento, efeito imediato relevante sobre os preços do boi no mercado brasileiro. "Pouco mudou o ânimo do mercado. Os contratos futuros do boi gordo seguem firmes e com viés altista", afirmou. Ele avalia que a medida norte-americana também não deve alterar, no curto e médio prazo, a necessidade de importação de carne bovina pelos EUA a ponto de provocar mudança significativa nos fundamentos do mercado brasileiro.
Na avaliação de Raphael Galo, da A7 Capital, o comportamento da sessão deve ser analisado dentro do movimento de agosto. O contrato com vencimento em agosto expirou hoje a R$ 344,07 por arroba, enquanto os vencimentos de setembro a novembro acumularam altas de aproximadamente 2,6% a 4,7% no mês. A valorização ganhou força após o anúncio, em 21 de agosto, posteriormente oficializado entre os dias 26 e 27, de uma redução temporária das tarifas norte-americanas sobre até 300 mil toneladas de carne bovina importada. A medida prevê alívio tarifário por 90 dias, mas não garante que esse volume será destinado ao Brasil, que disputa o mercado com outros fornecedores.
A curva de preços da B3 mostra que os preços avançam de forma significativa já entre agosto e setembro, sinalizando que os agentes incorporaram uma percepção de oferta mais apertada no curto prazo. O vencimento novembro apresentou a maior valorização no mês, justamente no fim da janela de 90 dias da medida. Apesar da alta acumulada, o pregão desta segunda-feira foi marcado por pouca volatilidade, com os contratos de setembro, outubro e novembro próximos da faixa da última semana.
Para Galo, uma eventual reação mais forte à medida norte-americana teria maior probabilidade de aparecer primeiro na própria B3, por meio de movimentos especulativos, o que ainda não foi observado de forma significativa. Enquanto os futuros tiveram um dia de acomodação, as ações dos frigoríficos foram pressionadas. Marfrig, JBS e Minerva registraram baixas, com a Minerva encerrando com queda de 1,29%. O movimento ocorreu em meio à divulgação, nesta segunda-feira, pelo governo dos EUA, do programa "Produtores em Primeiro Lugar", que amplia o acesso ao crédito e dá prioridade nas compras federais aos pequenos frigoríficos americanos, reforçando a intenção de manter o abastecimento sob maior controle de empresas domésticas.