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Planalto avalia usar negociação do tarifaço para abrir diálogo sobre o fim da escala 6x1

ResumoO governo Lula avalia utilizar as negociações contra o tarifaço dos EUA como oportunidade para iniciar diálogo com o setor produtivo sobre o fim da escala 6x1. A estratégia prevê uma troca mútua entre as partes, vinculando a pauta trabalhista às discussões comerciais internacionais.

O governo Lula avalia usar as negociações abertas para enfrentar o tarifaço dos EUA como oportunidade para iniciar conversas sobre o fim da escala 6x1. A estratégia prevê uma troca mútua com o setor produtivo.

Sérgio Tadeu Mafra
Sérgio Tadeu Mafra Repórter de Economia Regional · 22 de julho de 2026 · 3 min de leitura
Planalto avalia usar negociação do tarifaço para abrir diálogo sobre o fim da escala 6x1

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia aproveitar as negociações abertas em torno das medidas para enfrentar os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos como uma oportunidade para iniciar conversas sobre outra pauta considerada prioritária pelo Palácio do Planalto: o fim da escala de trabalho 6x1.

A estratégia do Planalto é utilizar o ambiente de negociação criado a partir do Plano Brasil Soberano para discutir uma agenda mais ampla com representantes do setor produtivo. De acordo com interlocutores do governo ouvidos pela reportagem, a percepção de auxiliares do presidente é de que as empresas que vierem a ser beneficiadas por medidas de apoio do governo poderão demonstrar disposição para negociar avanços nas relações de trabalho.

A ideia da troca mútua

A ideia discutida nos bastidores palacianos é de estabelecer uma espécie de "troca mútua". Enquanto o governo oferece instrumentos para reduzir os impactos do tarifaço, como linhas de crédito, incentivos e ações para abertura de novos mercados, espera encontrar disposição do empresariado para discutir propostas relacionadas à redução da jornada de trabalho, incluindo o fim da escala 6x1.

Primeiras reuniões já começaram

As primeiras reuniões com representantes da indústria, do comércio e de outros segmentos econômicos começaram nesta terça-feira (21/7). O objetivo oficial é construir soluções para minimizar os efeitos das tarifas anunciadas pelo governo norte-americano sobre setores da economia brasileira.

Integrantes do Planalto enxergam espaço para ampliar a pauta das negociações. A avaliação é de que o momento pode favorecer a construção de uma agenda de compromissos entre governo e setor produtivo, combinando medidas de proteção à atividade econômica com debates sobre condições de trabalho.

Sem modelo definido

Segundo interlocutores, ainda não há um modelo definido nem qualquer compromisso firmado com os setores envolvidos. A proposta está em fase de discussão interna e deve ser apresentada de forma gradual ao longo das negociações.

O governo mineiro, tradicionalmente ligado ao setor industrial e ao comércio, pode ser um dos termômetros dessa negociação. Em Minas Gerais, a escala 6x1 é predominante em setores como comércio varejista e indústria de transformação, que empregam milhares de trabalhadores. Qualquer mudança nessa jornada teria impacto direto na renda e na organização do trabalho local.

O que esperar

A tendência para os próximos meses é de que o governo intensifique as conversas com o setor produtivo, sem prometer prazos. O tarifaço dos EUA criou uma janela de negociação que o Planalto quer aproveitar, mas ainda sem garantias de avanço concreto.

Perguntas Frequentes

O que é a escala 6x1?

É a jornada de trabalho de seis dias consecutivos de trabalho para um de descanso, comum em comércio e indústria.

O governo já tem um projeto de lei para acabar com a escala 6x1?

Não. A proposta ainda está em fase de discussão interna, sem modelo definido ou compromisso firmado.

Como o tarifaço dos EUA se relaciona com o fim da escala 6x1?

O governo quer usar as negociações abertas para enfrentar o tarifaço como oportunidade para discutir a pauta trabalhista com o setor produtivo.

Quais setores participam das reuniões?

Representantes da indústria, do comércio e de outros segmentos econômicos começaram as conversas nesta terça-feira (21/7).

Quando a proposta deve ser apresentada?

De forma gradual ao longo das negociações, segundo interlocutores do governo.

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