PF: crédito do Master ao BRB não existia, diz investigação
A Polícia Federal aponta fortes indícios de que as Cédulas de Crédito Bancário vendidas pelo Banco Master ao BRB não existiam. As operações de 2025 somam R$ 12,2 bilhões e o BRB estima rombo de R$ 12 bilhões.
A Polícia Federal aponta "fortes indícios" de que as Cédulas de Crédito Bancário vendidas pelo Banco Master ao BRB (Banco de Brasília) não existiam. As operações ocorreram em 2025 e somam R$ 12,2 bilhões, conforme documento obtido pela CNN Brasil.
Os ativos foram originados pela empresa Tirreno, vendidos à instituição de Daniel Vorcaro e depois repassados ao banco regional. A movimentação foi detectada pelo Banco Central e integra a investigação da Polícia Federal.
O que mudou na investigação
A PF afirma que, ao examinar os contratos das carteiras negociadas pela Tirreno, o Banco Central consolidou "indícios cabais" de que as carteiras cedidas ao BRB eram inexistentes. "Nenhum crédito sequer pôde ser confirmado", diz o documento.
O BRB forneceu ao Banco Central uma amostra de 100 contratos de crédito formalizados por meio de cédulas emitidas pelo Banco Master, supostamente adquiridas pela Tirreno. Na análise, a autoridade monetária não constatou a existência do crédito apresentado em nenhum dos 100 contratos. Documentos de averbação e comprovantes de depósitos também não correspondiam aos contratos.
Segundo a investigação, os clientes das operações originadas pela Tirreno e cedidas pelo Master ao BRB coincidem, em larga medida, com clientes do próprio Master que já haviam sido cedidos ao BRB entre julho e dezembro de 2024. Para o Banco Central, o movimento é contraintuitivo, já que a Tirreno foi constituída em novembro de 2024.
O impacto no BRB
Por conta das operações com o Banco Master, o BRB estima um rombo de R$ 12 bilhões. A instituição regional negocia um aporte de R$ 6,6 bilhões para melhorar seus índices de saúde financeira.
As informações fazem parte da quebra de sigilo das investigações determinada pelo ministro Edson Fachin, do STF, na noite de quinta-feira (9).
O caso segue em apuração. A tendência, nos próximos meses, é que a quebra de sigilo traga novos elementos sobre a cadeia de cessão entre Tirreno, Master e BRB, com efeitos sobre a confiança de correntistas e investidores na instituição regional.