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Salário mínimo 2027: governo prevê R$ 1.741 no orçamento

O governo enviou ao Congresso, nesta segunda-feira (31), o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026 com uma previsão de salário mínimo de R$ 1.741 para o próximo ano. O valor representa um acréscimo de R$ 120 sobre os atuais R$ 1.621, uma alta de 7,4%. A estimativa supera a projeção anterior, de R$ 1.717, feita em abril deste ano.

O reajuste, se confirmado, entra em vigor em janeiro, mas o trabalhador sente a diferença no salário recebido em fevereiro. O número definitivo, porém, só será conhecido em dezembro, quando o IBGE divulgar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de novembro, que serve de base para a correção.

O que explica a nova estimativa

A mudança na projeção reflete a atualização das contas do governo, que passou a prever um INPC maior para o período. Desde abril, a equipe econômica revisou os parâmetros macroeconômicos, e o novo número entrou no PLOA.

O valor de R$ 1.741 está acima da média histórica de reajustes recentes. Para efeito de comparação, o salário mínimo atual, de R$ 1.621, foi definido após correção de 4,8% sobre o valor de 2025. A alta proposta agora, de 7,4%, é superior à inflação projetada para o ano, o que indica ganho real para o trabalhador.

A fórmula legal da correção

A política de valorização do salário mínimo foi instituída por lei, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A regra combina a inflação medida pelo INPC com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de anos anteriores. No caso do orçamento de 2026, o INPC de novembro será o fator decisivo.

O governo não informou, no texto do PLOA, qual é a projeção exata do INPC para novembro. Mas a diferença de R$ 24 entre a estimativa de abril (R$ 1.717) e a atual (R$ 1.741) sugere uma revisão para cima na inflação esperada.

Impacto no bolso e nas contas públicas

Para o trabalhador que ganha salário mínimo, o aumento de R$ 120 mensais representa um acréscimo anual de R$ 1.440. O impacto, porém, não se limita ao salário: benefícios como o BPC (Benefício de Prestação Continuada) e o abono salarial também são corrigidos pelo mesmo índice.

Nas contas do governo, cada R$ 1 de aumento no salário mínimo gera um custo adicional de cerca de R$ 400 milhões por ano, segundo estimativas de mercado. Com o reajuste proposto, o impacto total no orçamento de 2026 pode passar de R$ 48 bilhões, considerando aposentadorias, pensões e demais benefícios atrelados ao piso.

O que falta para o valor final

O Congresso ainda precisa aprovar o PLOA, mas o valor do salário mínimo não é votado pelos parlamentares. Ele é definido por decreto presidencial, após a divulgação do INPC de novembro. A previsão no orçamento é apenas uma estimativa, que pode ser ajustada até o fim do ano.

O governo tem até dezembro para publicar o decreto com o valor definitivo. Se o INPC de novembro ficar abaixo do projetado, o salário mínimo pode ser menor que R$ 1.741. Se ficar acima, o valor sobe. A regra é clara: a correção integral é garantida por lei, mas o número exato depende da inflação.

Perguntas Frequentes

Quando o novo salário mínimo começa a valer?

O reajuste entra em vigor em janeiro de 2027, mas o trabalhador recebe o novo valor no salário de fevereiro.

Qual é o valor atual do salário mínimo?

O salário mínimo atual é de R$ 1.621, valor que vigora desde janeiro de 2026.

O valor de R$ 1.741 é definitivo?

Não. O valor final será conhecido em dezembro, após a divulgação do INPC de novembro. A estimativa no orçamento pode ser ajustada.

Quem define o valor do salário mínimo?

O valor é definido por decreto presidencial, com base na lei de valorização que combina INPC e crescimento do PIB. O Congresso não vota o número, apenas o orçamento.

O aumento de 7,4% garante ganho real?

Se a inflação do ano ficar abaixo de 7,4%, o trabalhador terá ganho real. A projeção oficial para o IPCA em 2026 é de cerca de 4%, o que indica ganho real, mas o número final depende do INPC de novembro.

Para acompanhar os desdobramentos do orçamento e os próximos passos da política de valorização, veja também impacto do salário mínimo nas contas municipais e como o INPC afeta seu bolso.

Geraldo Assunção
Repórter de Política Estadual
Repórter de BH, cobre política mineira da Assembleia ao interior com fontes antigas e ceticismo de veterano.
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