Serviços

'Nunca vivi de máscara': primeira PM trans de MG se aposenta

ResumoA subtenente Juliana Vittoria Gonçalves da Silva, primeira policial militar trans de Minas Gerais, aposentou-se após 31 anos de serviço. A transição de gênero aos 49 anos transformou a trajetória profissional e pessoal da militar. A carreira na PMMG incluiu desafios e conquistas, com a oficial afirmando que nunca viveu de máscara. A aposentadoria marca o fim de um ciclo de pioneirismo e representatividade.

A subtenente Juliana Vittoria Gonçalves da Silva, primeira PM trans de MG, se aposenta após 31 anos de serviço. Ela conta como a transição aos 49 anos mudou sua vida dentro e fora da farda.

Inácio Bicalho
Inácio Bicalho Repórter de Interior e Agro · 03 de setembro de 2026 · 1 min de leitura
'Nunca vivi de máscara': primeira PM trans de MG se aposenta

A subtenente Juliana Vittoria Gonçalves da Silva, primeira mulher trans da Polícia Militar de Minas Gerais, se aposentou após 31 anos de serviço em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Antes de vestir a farda, ela precisou vencer uma batalha que começou na infância: entender quem era. Aos 4 anos, percebeu que o corpo não correspondia à forma como se via. Perguntou-se por que era diferente. A resposta recebida atravessou sua vida. "Me disseram que eu era menino", lembrou.

A partir dali, segundo Juliana, começou um sofrimento que duraria décadas. Aos 49 anos, ela iniciou a transição de gênero e passou a viver publicamente como mulher pela primeira vez. Hoje, aos 52 anos e já na reserva da PM, ela olha para a própria história com outra perspectiva. "Quando você é mais velha, está mais madura, você também entende que", disse, sem completar a frase na reportagem.

A trajetória de Juliana ecoa entre colegas de farda e moradores de Uberlândia. Quem conviveu com ela no dia a dia da corporação acompanhou de perto o processo. "Ela sempre foi uma profissional dedicada, mas a transição trouxe uma leveza que a gente notava nos corredores", conta um sargento que pediu para não ser identificado.

Aos 52 anos, Juliana não vive mais de máscara. A reserva não encerra sua história, mas abre um novo capítulo: o de viver sem esconder quem é. Para muitas pessoas trans no interior de Minas, o exemplo dela mostra que a transição não é um ponto final, mas um recomeço possível depois de décadas de espera.

// Leia também

Publicidade