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Norte e Nordeste sofrem mais com falta de psicólogos no SUS

Norte e Nordeste sofrem mais com a falta de psicólogos no SUS. Levantamento da CNN Brasil, com base nos dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), mostra que a desigualdade na distribuição desses profissionais é evidente: no Pará, há um psicólogo do SUS para cerca de 5.769 habitantes; no Amazonas, um para 5.724; no Maranhão, um para 4.476. Em comparação, Santa Catarina tem um profissional para 2.482 habitantes, Minas Gerais para 2.557 e Rio Grande do Sul para 2.646.

A diferença não é falta de profissionais registrados. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) contabiliza mais de 600 mil inscritos no país, mas apenas uma parcela atua na rede pública. No Pará, são 9.235 psicólogos ativos, um para cada 943 habitantes; no Amazonas, 6.812, um para 634; no Maranhão, 7.408, um para 947. Entre os dez piores estados na relação de psicólogos do SUS por habitantes, oito são das regiões Norte e Nordeste.

Para a conselheira federal do CFP, Ana Carolina Freire, a diferença ocorre porque cerca de 70% da categoria atua na psicologia clínica, muitos conciliando consultório particular com vínculo em políticas públicas. Ela afirma que ampliar a presença no SUS é "uma necessidade sanitária", diante do aumento do sofrimento psíquico, especialmente após a pandemia de Covid-19. A conselheira também cita a precarização do trabalho: falta uma lei nacional de carga horária de 30 horas e piso salarial, o que afasta profissionais da rede pública.

A dificuldade de acesso ao atendimento presencial impulsiona a terapia online. A psicóloga Caroline Macarini, fundadora da plataforma Unolife, afirma que a procura cresceu mais de 70% entre 2023 e 2025; no Norte e no Nordeste, o aumento chegou a 77%. O CFP reconhece o atendimento remoto como recurso regulamentado, mas pondera que não substitui o presencial, especialmente em territórios indígenas, quilombolas e comunidades isoladas.

Os atendimentos nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) mais que dobraram entre 2015 e 2025, passando de 13,8 milhões para 28,4 milhões, alta de 106%, segundo o Ministério da Saúde. O Norte saiu de 467,9 mil para 1,64 milhão; o Nordeste cresceu 104%, de 3,63 milhões para 7,4 milhões. A pasta afirma que vem ampliando a Rede de Atenção Psicossocial, com 867 novos serviços habilitados entre 2023 e julho de 2026, totalizando 6.488 pontos de atenção. saúde mental no SUS

Marília Stefani
Repórter de Segurança Pública
De Betim, cobre segurança pública em MG com dado, contexto e cuidado para não alimentar o pânico.
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