Mulheres vivem mais, mas com mais anos de saúde precária, aponta estudo
Estudo publicado na The Lancet Public Health revela que mulheres vivem mais que homens, mas passam mais anos com saúde debilitada. Em 2023, a média de morbidade feminina foi de 12,1 anos, contra 9,3 anos dos homens. Doenças crônicas e a menopausa estão entre os principais fatores
Um estudo publicado na edição de agosto da revista The Lancet Public Health constatou que as mulheres vivem mais tempo que os homens, independentemente do nível de desenvolvimento do país, mas passam mais anos com saúde precária.
Em 2023, a média de morbidade entre as mulheres foi de 12,1 anos, enquanto os homens apresentaram 9,3 anos. O indicador mede a proporção de pessoas de uma população específica que adoecem.
Fatores que contribuem para a disparidade
A pesquisa sobre a Carga Global de Doenças (GBD) aponta que mais da metade dos anos vividos com saúde precária no mundo é impulsionada por doenças crônicas não fatais. Essas condições representaram 57,4% dos anos de vida com saúde debilitada em 2023.
A endocrinologista Dra. Deborah Beranger explica que os distúrbios musculoesqueléticos, especialmente a dor lombar, foram os que mais contribuíram para a diferença entre os gêneros. Em seguida, vêm transtornos mentais como depressão e ansiedade, doenças dos órgãos dos sentidos (incluindo perda auditiva relacionada à idade), quedas e outras lesões não intencionais.
Menopausa e envelhecimento
A ginecologista Dra. Ana Paula Fabricio destaca que a transição para a menopausa merece atenção especial. A queda dos níveis de estrogênio provoca alterações na composição corporal, com maior tendência ao acúmulo de gordura abdominal, perda de massa muscular, mudanças no metabolismo da glicose e dos lipídios, além de impactos sobre a saúde óssea, cardiovascular, o sono e a saúde mental.
"Quando esses fatores se somam ao processo natural de envelhecimento e a outros riscos modificáveis, podem contribuir para que as mulheres vivam mais anos convivendo com doenças crônicas e limitações", analisa a médica.
Prevenção e cuidados
A pesquisa sobre GBD também expõe que, devido ao envelhecimento da população, é necessário redobrar a prevenção de doenças crônicas, adiar a incapacidade e garantir acesso à reabilitação, a serviços de saúde mental e a cuidados crônicos de longo prazo.
Dra. Deborah ressalta que o padrão mostra que a expectativa de vida entre as mulheres não se traduz em anos de vida saudável, sendo necessário dar mais atenção às condições e fatores de risco para um envelhecimento saudável.
"Para as mulheres, isso também significa ampliar o acesso à informação, à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento individualizado das condições relacionadas à menopausa. Não se trata apenas de aliviar sintomas, mas de aproveitar essa fase como uma oportunidade para cuidar da saúde e favorecer mais anos vividos com qualidade", conclui a Dra. Ana.
Perguntas Frequentes
Por que as mulheres vivem mais, mas com saúde pior?
O estudo da The Lancet mostra que, apesar da maior longevidade, as mulheres enfrentam mais anos com doenças crônicas não fatais, como dores musculoesqueléticas e transtornos mentais, além de mudanças hormonais da menopausa.
Qual a diferença de morbidade entre homens e mulheres em 2023?
Em 2023, a média de morbidade feminina foi de 12,1 anos, contra 9,3 anos dos homens, segundo a pesquisa.
Quais doenças mais afetam a saúde feminina na velhice?
As principais são distúrbios musculoesqueléticos (como dor lombar), depressão, ansiedade, perda auditiva e quedas, conforme a endocrinologista Dra. Deborah Beranger.
Como a menopausa influencia a saúde a longo prazo?
A queda de estrogênio pode levar a alterações na composição corporal, metabolismo, saúde óssea e cardiovascular, aumentando o risco de doenças crônicas, explica a ginecologista Dra. Ana Paula Fabricio.
O que pode ser feito para melhorar a qualidade de vida das mulheres idosas?
A pesquisa recomenda prevenção de doenças crônicas, acesso a reabilitação, cuidados de saúde mental e tratamento individualizado para condições da menopausa.