Ministro do STF autoriza inquérito sobre repasses para filme sobre Jair Bolsonaro
O ministro André Mendonça, do STF, autorizou abertura de inquérito policial para apurar repasses do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ao filme 'Dark Horse', sobre Jair Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro negociou US$ 24 milhões com Vorcaro. PF já investiga emendas parlament
Ministro do STF autoriza inquérito sobre repasses para filme sobre Jair Bolsonaro
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para apurar repasses do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para o filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão foi tomada a pedido da PF, com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, trocou mensagens com Vorcaro pedindo dinheiro para ajudar bancar a produção. Mensagens por escrito e áudio dos contatos de Flávio com o dono do Banco Master foram reveladas pelo site Intercept Brasil. Flávio afirmou que a solicitação foi para patrocínio e não houve irregularidades.
PF investiga repasses e emendas parlamentares
Mendonça autorizou a instauração da investigação a pedido da PF e com parecer favorável da PGR. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, entendeu ter elementos para a abertura da investigação. A PGR também se manifestou pelo arquivamento de um pedido de investigação sobre o caso apresentado pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), o que foi acatado pelo ministro do STF.
Em outra frente, a PF já havia instaurado um inquérito para apurar se houve direcionamento de emendas parlamentares para entidades ligadas à produção do filme. Este processo está sob a relatoria do ministro Flávio Dino no Supremo.
Relatoria concentrada em Mendonça
Mendonça concentrou os pedidos de investigação sobre a relação entre Vorcaro e Flávio no caso "Dark Horse" por determinação do presidente do STF, Edson Fachin. O magistrado confirmou Mendonça como relator em detrimento de Alexandre de Moraes, inicialmente designado como responsável pela ação movida por Lindbergh Farias.
No início de junho, o diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, defendeu uma nova investigação sobre o envio de recursos de Vorcaro aos Estados Unidos sob a justificativa de financiar o filme "Dark Horse".
"É preciso analisar novos elementos trazidos sobre um eventual suporte de pessoas no exterior que estão confabulando e articulando contra o Brasil. Inclusive, coagindo no curso do processo", disse ele, em entrevista à GloboNews.
Valores e fundo no exterior
Segundo revelou o site Intercept Brasil, o senador negociou diretamente com Vorcaro um total de US$ 24 milhões, o equivalente a R$ 134 milhões para financiar o filme. O repasse efetivo, segundo documentos, foi de ao menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões na cotação da época, destinados ao projeto até maio de 2025.
A empresária Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up, apresentou à Justiça um laudo pericial declarando ter gastado R$ 75 milhões na produção de "Dark Horse". Ela afirmou que a totalidade desses valores saiu de um fundo sediado nos Estados Unidos, controlado por aliados do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Foi esse mesmo fundo, Havengate, que recebeu cerca de US$ 10,6 milhões de aportes de Vorcaro, solicitados por Flávio.
O financiamento da produção não foi explicado por Flávio Bolsonaro, mesmo após promessa, feita em 19 de maio, de divulgação de uma planilha em 30 dias.
inquérito STF Bolsonaro
Perguntas Frequentes
Quem autorizou o inquérito sobre o filme Dark Horse?
O ministro André Mendonça, do STF, autorizou a abertura do inquérito a pedido da PF e com parecer favorável da PGR.
O que é investigado no inquérito?
A PF apura repasses do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para o filme "Dark Horse", sobre a vida de Jair Bolsonaro.
Qual o valor negociado por Flávio Bolsonaro?
Segundo o Intercept Brasil, o senador negociou US$ 24 milhões (R$ 134 milhões) com Vorcaro. O repasse efetivo foi de ao menos US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões).
Quem é Karina Ferreira da Gama?
Empresária dona da Go Up, que apresentou laudo pericial afirmando ter gastado R$ 75 milhões na produção, com recursos de um fundo nos EUA controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.
Qual a posição de Flávio Bolsonaro sobre o caso?
Flávio afirmou que a solicitação foi para patrocínio e não houve irregularidades. Ele não explicou o financiamento da produção, apesar de prometer divulgar uma planilha em 30 dias.