Lula sobre crise no STF: 'deixar todo mundo nu'
Durante entrevista ao SBT na noite desta quinta-feira (10/9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a abertura de sigilo em investigações sobre fraudes no Banco Master e no INSS para que a Suprema Corte recupere credibilidade.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, durante entrevista ao SBT na noite desta quinta-feira (10/9), a quebra de sigilo dos processos que apuram fraudes no Banco Master e no INSS. A declaração veio em meio à crise enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal, alvo de acusações de corrupção contra ministros.
Em resposta direta ao impasse, Lula afirmou que é preciso "fazer a abertura do sigilo de todo mundo para colocar todo mundo nu diante da sociedade brasileira para ver se a Suprema Corte recupera a sua credibilidade e pune quem tiver que punir".
O presidente sustentou que "todos que tiverem suspeita de ter cometido qualquer crime têm que ser investigados", inclusive para preservar a credibilidade do Poder Judiciário. A fala ocorre após o ministro André Mendonça ter quebrado, na semana passada, o sigilo de uma investigação da Polícia Federal que mostra a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Lula também criticou o que chamou de vazamentos seletivos de investigações. "Eu não gosto de investigação sigilosa. Se tiver que fazer investigação é melhor você tornar público o que está acontecendo para você poder acusar as pessoas. O que você não pode é ficar soltando meias informações com meias palavras, tirando suspeita sobre todo mundo sem dizer quem é que é o culpado", completou.
Para quem acompanha o noticiário político, o efeito prático da fala é direto: a eventual abertura de sigilo pode tornar públicos documentos que hoje tramitam sob restrição, incluindo detalhes sobre movimentações financeiras atribuídas ao Banco Master e possíveis desvios no INSS. Isso interessa a servidores, aposentados e segurados que dependem do instituto, além de correntistas e investidores atentos ao desenrolar do caso.
Ainda não há prazo definido para que os sigilos sejam efetivamente levantados. O pedido de Lula depende de decisões no âmbito do próprio Supremo, que não se manifestou oficialmente sobre a declaração até a publicação desta matéria.
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