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Itamaraty encerra semana tentando conter crises com Paraguai e Argentina

ResumoO Itamaraty encerrou a semana com esforços para conter crises diplomáticas simultâneas com Paraguai e Argentina, originadas por falas dos presidentes Lula e Milei. A ação incluiu convocação de embaixadores e emissão de notas oficiais de repúdio. O órgão brasileiro busca estabilizar relações bilaterais afetadas por tensões políticas recentes.

O Itamaraty encerrou a semana dedicado a conter duas crises diplomáticas simultâneas, com Paraguai e Argentina. As tensões surgiram após falas dos presidentes Lula e Milei, e exigiram a convocação de embaixadores e a emissão de notas oficiais de repúdio.

Cláudia Resende
Cláudia Resende Repórter de Saúde e Educação · 01 de agosto de 2026 · 6 min de leitura
Itamaraty encerra semana tentando conter crises com Paraguai e Argentina

Itamaraty encerra semana tentando conter crises com Paraguai e Argentina

O Itamaraty precisou atuar em duas crises diplomáticas nesta última semana. Ao mesmo tempo, o governo do Brasil esteve envolvido em tensões com Argentina e Paraguai, em função de falas dos presidentes argentino Javier Milei e brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O que causou a crise com a Argentina?

A crise com a Argentina começou após a participação de Milei na convenção nacional do PL (Partido Liberal), no último dia 25 de julho, onde o chefe de Estado argentino chamou Lula de "presidiário", acusou o governo brasileiro de "prender opositores" e se referiu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), como "lixo careca".

O que motivou a tensão com o Paraguai?

Já o problema diplomático com os paraguaios ocorreu após uma fala do presidente Lula na sexta-feira da semana passada (24), durante agenda no interior de São Paulo. Na ocasião, Lula disse que o Paraguai invadiu o Brasil, a Argentina e o Uruguai no século XIX, desencadeando a Guerra do Paraguai, de 1864 a 1870.

"A gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil, invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina e aquela guerra, que parecia que era nada, durou cinco anos", afirmou o brasileiro.

Como o Paraguai reagiu?

O Congresso paraguaio emitiu uma declaração oficial, na quarta-feira (29), repudiando a fala de Lula sobre a guerra. O documento afirmou que a declaração do petista "distorce e minimiza a dimensão histórica da Guerra da Tríplice Aliança".

Durante a semana, o governo do Paraguai convocou o embaixador brasileiro em Assunção, José Antônio Marcondes de Carvalho, para consultas, ato que, na diplomacia, indica insatisfação com um país estrangeiro. Na ocasião, os paraguaios entregaram uma nota de repúdio a José Antônio.

Qual foi a resposta brasileira à Argentina?

Em relação à crise com o governo de Javier Milei, a semana foi marcada pela convocação do embaixador argentino no Brasil, Guillermo Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos ao Itamaraty.

O embaixador brasileiro na Argentina, Julio Bitelli, foi chamado de volta a Brasília para consultas. O Itamaraty considerou que as falas foram uma "afronta", que "desrespeitaram" o presidente, o Poder Judiciário e a população brasileira.

Bitelli se reuniu, em Brasília, tanto com o ministro Mauro Vieira quanto com o presidente Lula, duas vezes, segundo apurou a CNN, para explicar o andamento da situação na Argentina. Por enquanto, o embaixador segue no Brasil, ainda sem data para retorno à Buenos Aires.

Houve conversa direta entre Lula e o presidente do Paraguai?

Durante a semana, o chanceler do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, chegou a dizer em coletiva de imprensa que os presidentes dos dois países tinham conversado sobre a crise diplomática. O governo brasileiro, no entanto, negou que a conversa direta tenha ocorrido.

De acordo com fontes do Itamaraty, o Brasil não tem interesse em escalar a crise com os paraguaios, e apostou, nesse primeiro momento, na experiência do embaixador José Antônio Marcondes de Carvalho para conduzir os diálogos e amenizar a situação.

O que o Paraguai pediu ao Brasil?

Na reunião para que foi convocado em Assunção, José Antônio recebeu, além da nota de repúdio do governo vizinho, o pedido do Paraguai para que o Brasil devolva um canhão e "os demais troféus de guerra, assim como a entrega da cópia de todos os documentos históricos" que estão em solo brasileiro sobre a guerra. O gesto, segundo o chanceler paraguaio, representa "um gesto de reparação".

Em coletiva de imprensa após a reunião, o vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, disse que o descontentamento com a declaração de Lula foi expressado pelos "mais altos canais diplomáticos e do Poder Executivo".

Segundo ele, o embaixador brasileiro esclareceu que Lula não teve a intenção de desrespeitar ou insultar o país. Alliana declarou que o governo paraguaio não tem interesse em aprofundar a crise.

"A distorção dos fatos históricos não contribui para consolidar o futuro comum de nossos povos", afirmou o vice-presidente. Alliana também reafirmou a vontade de manter um diálogo "franco, respeitoso e construtivo" com o Brasil, e disse que "a história deve ser um ponto de partida para um futuro próspero".

Como Lula respondeu a Milei?

Após as falas de Javier Milei em território brasileiro, o presidente Lula se referiu ao governante argentino como "aquela coisa" e disse que o chefe do Executivo do país vizinho cometeu uma "patacoada" ao discursar na convenção do PL que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República.

"Vocês viram a patacoada que ele fez no final de semana. Eu não falei nada, porque minha relação é de chefe de Estado. Não vou ficar trocando coisa com aquela coisa", disse Lula na última quarta-feira (29).

"Eu aprendi desde cedo que não sou melhor nem pior que ninguém. Quero ser igual. E enquanto eu for presidente e vivo ninguém vai meter o bedelho nas eleições brasileiras", completou o petista.

O que esperar dos próximos passos?

De acordo com fontes do Itamaraty, um dos pontos que mais causou revolta no Palácio do Planalto foi o fato de as declarações de Milei terem sido feitas em território brasileiro.

A percepção do governo brasileiro é de que nem o embaixador argentino nem Milei pretendem fazer um pedido de desculpas oficial ao Brasil. A expectativa é de que as conversas sigam pelos canais diplomáticos, com o Itamaraty buscando conter os danos e preservar a relação com os dois vizinhos.

Perguntas Frequentes

Por que o Paraguai convocou o embaixador brasileiro?

O governo do Paraguai convocou o embaixador brasileiro em Assunção, José Antônio Marcondes de Carvalho, para consultas após a fala de Lula sobre a Guerra do Paraguai. O ato indica insatisfação com um país estrangeiro, e foi acompanhado da entrega de uma nota de repúdio.

O que Lula disse sobre o Paraguai?

Lula afirmou que o Paraguai invadiu o Brasil, a Argentina e o Uruguai no século XIX, desencadeando a Guerra do Paraguai, de 1864 a 1870. A declaração foi feita durante agenda no interior de São Paulo, na sexta-feira da semana passada (24).

O que Milei falou sobre Lula e Moraes?

Milei chamou Lula de "presidiário", acusou o governo brasileiro de "prender opositores" e se referiu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, como "lixo careca". As declarações ocorreram na convenção nacional do PL, no dia 25 de julho.

O Paraguai pediu a devolução de algum item ao Brasil?

Sim. O Paraguai pediu que o Brasil devolva um canhão e "os demais troféus de guerra", além da entrega da cópia de todos os documentos históricos sobre a guerra que estão em solo brasileiro. O gesto foi classificado pelo chanceler paraguaio como "um gesto de reparação".

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