O que é inclusão financeira de verdade e que instituições avançam no Brasil
Inclusão financeira de verdade vai além de ter conta: exige uso efetivo de serviços como crédito, poupança e pagamentos. O Banco Central mostra que, em 2024, 96,4% dos adultos brasileiros tinham conta, mas só 88% eram ativos. Instituições como fintechs lideram a digitalização.
Inclusão financeira é uma estratégia que promove o acesso, o uso e a qualidade dos serviços financeiros. No Brasil, exemplos de avanços nos últimos anos combinam inovação tecnológica com iniciativas públicas e privadas, embora desafios ainda existam.
O que é inclusão financeira de verdade? Para o Banco Central, é quando adultos têm acesso efetivo a serviços financeiros de instituições formais, como crédito, poupança, pagamentos, seguros, previdência e investimentos. Mas não basta ter uma conta bancária ou de pagamento. A inclusão financeira só acontece de verdade quando há uso real desses produtos e serviços.
O panorama brasileiro em números
Em abril de 2026, o Banco Central publicou o Relatório de Cidadania Financeira 2025, um dos principais estudos sobre o tema no país. De acordo com dados de 2024, 96,4% da população adulta brasileira (175 milhões) tinha um dos dois tipos de conta. No entanto, os usuários ativos representavam cerca de 88% (160,8 milhões).
Além do acesso, a qualidade dos serviços, a proteção dos consumidores e a educação financeira são aspectos essenciais para o bem-estar e a resiliência financeira da população.
Instituições que avançam: fintechs e inovações
Nos últimos anos, o Brasil investiu em iniciativas de promoção da cidadania financeira com inovações como o Pix, o Open Finance e o Drex. As fintechs, como o Inter, são o tipo de instituição com os maiores volumes de transações para pagamentos na comparação com bancos tradicionais. O Pix, meio de pagamento instantâneo gratuito para pessoas físicas, disponível 24 horas, tornou-se um dos principais vetores de inclusão da população de baixa renda.
O crédito sem garantia também se expandiu: o número de brasileiros com esse tipo de empréstimo triplicou desde 2020, atingindo 41,7 milhões de clientes. O BC alerta, porém, que é preciso cautela para não comprometer uma parcela muito grande da renda mensal com a modalidade.
Educação financeira e desafios
A pontuação do Brasil no índice de letramento financeiro da OCDE/INFE é similar à média geral dos países participantes, com melhora na comparação com 2015, mas não em todas as dimensões. Entre 2020 e 2023, o nível de acertos da população em "Conhecimentos Financeiros" caiu, principalmente no tema diversificação de riscos. Houve melhora expressiva em "Comportamentos Financeiros" e progresso em "Atitudes Financeiras".
Menos da metade dos MEIs mantém relacionamento com instituições financeiras por meio de pessoa jurídica. Para o BC, a informalidade da gestão financeira compromete a visibilidade da atividade empreendedora.
Contas digitais e o papel das fintechs
As instituições financeiras digitais se destacam pela gratuidade ou baixo custo dos serviços. A gestão financeira do dia a dia é mais acessível com contas digitais, combinadas com plataformas e aplicativos que integram todos os produtos financeiros no mesmo lugar. No caso do Pix, as fintechs tiveram papel importante na sua rápida introdução e disseminação por oferecerem soluções de pagamento centradas no usuário.
Perguntas Frequentes
O que diferencia inclusão financeira de bancarização?
Bancarização é a entrada no sistema formal, geralmente com abertura de conta. Inclusão financeira exige uso efetivo de serviços como crédito, poupança e pagamentos.
Quem são os desbancarizados no Brasil?
São pessoas que nunca tiveram conta em banco, concentradas em regiões rurais, populações de baixa renda e grupos vulneráveis.
O que é sub-bancarização?
Indivíduos que têm conta, mas recorrem a serviços informais como agiotas ou guardar dinheiro em casa, por perceberem o sistema formal como caro ou complexo.
Como o Pix ajuda na inclusão financeira?
O Pix é gratuito para pessoas físicas, disponível 24 horas, e digitaliza pequenas transações, alcançando informais e permitindo a primeira transferência eletrônica para milhões de brasileiros.
O que é Open Finance?
É o compartilhamento padronizado de dados e serviços entre instituições, com consentimento do cliente, aumentando a concorrência e facilitando produtos personalizados.
O que é Drex?
É a forma digital do real, criptomoeda centralizada pelo Banco Central, que complementa Pix e Open Finance para transações mais complexas, como contratos inteligentes.