Semana no mercado: Ormuz, Nvidia e Fed em gráficos
A semana no mercado foi definida por três frentes: o impasse no Estreito de Ormuz, que mantém as exportações de petróleo do Golfo Pérsico restritas seis meses após o início da guerra com o Irã; o balanço da Nvidia, que impulsionou suas ações; e o debate sobre política monetária no Federal Reserve, às vésperas da cúpula de Jackson Hole.
Os preços do petróleo recuaram no começo da semana após as sanções do "Dia D" de Washington se mostrarem menos disruptivas que o esperado e com negociações entre Omã e Irã alimentando esperanças de um acordo temporário de transporte marítimo. Mas o conflito virou um impasse que pode durar até 2027, deixando os mercados de energia reféns, a inflação elevada e nenhum dos lados disposto a ceder.
A disputa comercial entre EUA e Canadá reacendeu. Washington impôs tarifas de 50% sobre importações do vizinho, segundo maior parceiro comercial americano, e ameaçou estender a medida a automóveis. Ottawa prometeu retaliar "dólar por dólar". Se a tensão escalar, o impacto pode ir além das fronteiras dos dois países.
A Nvidia apresentou resultados sólidos no segundo trimestre e prevê aumento de 70% na receita no próximo ano fiscal, sinal de que o boom da IA não desacelera. Ainda assim, o desempenho anual das ações fica abaixo do esperado, com parte do crescimento já precificada.
No Fed, o novo presidente Kevin Warsh defende reintroduzir os agregados da oferta monetária na análise de política, reabrindo o debate entre monetarismo e metas de inflação. Com crescimento da oferta monetária acima de 5% ao ano, seria uma batalha estranha para quem quer afrouxar a política. Indicadores de crédito e ativos mostram as condições financeiras mais frouxas em quatro anos.
Na Europa, a curva futura do diesel indica preços elevados até 2027, com incerteza sobre produção e fluxos de energia do Oriente Médio e da Rússia. Operadores se preparam para tensões geopolíticas altas, cadeias de suprimentos vulneráveis e combustíveis escassos.
Para o trabalhador e o empreendedor mineiro, o recado é de cautela: energia cara e inflação pressionada tendem a manter custos elevados nos próximos meses, sem sinal de alívio rápido no front geopolítico.