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Acordos comerciais na Índia: Brasil mira mercado em meio ao tarifaço

ResumoO ministro Márcio Elias Rosa, da pasta de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, lidera missão comercial na Índia até 7 de agosto. A viagem busca ampliar o acesso de empresas brasileiras ao mercado indiano em meio ao tarifaço dos EUA. Acordos comerciais bilaterais são o foco das negociações para diversificar exportações e reduzir dependência de mercados tradicionais.

O ministro Márcio Elias Rosa, da pasta de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, viajou à Índia para fechar novos acordos comerciais em meio ao tarifaço dos EUA. A missão vai até 7 de agosto e busca ampliar o acesso de empresas brasileiras ao mercado indiano.

Ronaldo Pimenta
Ronaldo Pimenta Repórter de Esporte Mineiro · 03 de agosto de 2026 · 4 min de leitura
Acordos comerciais na Índia: Brasil mira mercado em meio ao tarifaço

Governo busca acordos comerciais na Índia em meio ao tarifaço dos EUA

O ministro Márcio Elias Rosa, da pasta de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, viajou à Índia com o objetivo de fechar novos acordos comerciais em meio às tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A missão, que vai até o dia 7 de agosto, busca ampliar o acesso de empresas brasileiras ao mercado indiano e fortalecer a inserção do Brasil no comércio global, segundo nota do ministério.

Por que a Índia é estratégica para o Brasil agora?

A Índia é o segundo maior mercado consumidor do mundo e um grande parceiro comercial do Brasil. Em 2025, a corrente de comércio entre os dois países superou US$ 15 bilhões, como lembrou o próprio ministro. Com o apoio da Apex Brasil, que organizou as reuniões no país, a expectativa é ampliar essa relação.

O momento é delicado: os EUA aplicaram uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor no dia 22, adicionada às tarifas já existentes. A medida foi adotada após investigação do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA), iniciada depois que o presidente Donald Trump anunciou, em julho de 2025, uma tarifa de 50% contra produtos brasileiros.

A rota da missão: Mumbai, Delhi e Jaipur

Márcio Elias passará por três cidades indianas, cada uma com foco específico.

Mumbai: investimentos e grandes grupos

Na capital financeira, o ministro se encontrará com grupos empresariais como Reliance Industries e Aditya Birla Group, na busca por investimentos no Brasil.

Delhi: defesa, tecnologia e bens de consumo

Em Nova Delhi, a agenda inclui setores de defesa, tecnologia, equipamentos industriais, automação e bens de consumo. Haverá um almoço com empresas nacionais como Embraer, Weg, Perto, CBC e Tramontina, para identificar desafios e oportunidades na ampliação da presença brasileira no país.

Ainda em Delhi, estão previstas reuniões com instituições e empresas indianas dos setores privado, fertilizantes, comércio e infraestrutura. Entre elas, a CII (Confederation of Indian Industry), principal entidade representativa do setor privado indiano, além de IFFCO, State Bank of India (SBI) e Adamo Group.

Brics na pauta: diversificação e desafios

A viagem também abordará questões do Brics, grupo que envolve Brasil, Rússia, Índia e China, além de África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Márcio Elias representará o Brasil em reuniões com autoridades da Índia, China, Emirados Árabes Unidos, Rússia, Egito e África do Sul.

A ideia é discutir resiliência industrial, desenvolvimento sustentável, fortalecimento de micro, pequenas e médias empresas, cadeias globais de valor mais resilientes, comércio digital e preservação do sistema multilateral de comércio.

Analistas ouvidos pelo CNN Money apontam que o Brics pode ser uma alternativa na diversificação, mas a mudança de rota precisa superar desafios e deve trazer resultados concretos somente no médio e longo prazo.

O que está em jogo com o tarifaço dos EUA

A nova sobretaxa de 25% foi adotada após recomendação do USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. A apuração analisou políticas brasileiras relacionadas a comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e combate ao desmatamento ilegal.

O governo americano afirma que as políticas brasileiras criam condições desiguais de concorrência. Entre os pontos citados, está a política ambiental: segundo o USTR, o Brasil possui legislação para combater o desmatamento, mas falhou em aplicá-la adequadamente.

Apesar da nova rodada, produtos como café e carne bovina não serão atingidos. O documento do USTR prevê dezenas de exceções para itens essenciais à economia americana ou sem fornecedores alternativos, incluindo farmacêuticos, pescados, couros, ferro-gusa, mel orgânico, hidróxido de alumínio e componentes da indústria aeronáutica.

O plano do governo brasileiro para buscar novos mercados envolve R$ 130 milhões, que devem ser implementados no início deste mês. A medida foi anunciada após a recomendação do USTR e faz parte da investigação da Seção 301.

Perguntas Frequentes

Quando a nova tarifa dos EUA entrou em vigor?

A sobretaxa de 25% entrou em vigor no último dia 22, adicionada às tarifas já existentes sobre produtos brasileiros.

Quais produtos ficaram de fora da sobretaxa?

Café e carne bovina não serão atingidos. Há dezenas de exceções para produtos essenciais à economia americana, como farmacêuticos, pescados, couros, ferro-gusa, mel orgânico, hidróxido de alumínio e componentes aeronáuticos.

Qual o papel da Apex Brasil na missão?

A Apex Brasil organizou as reuniões do ministro na Índia e apoia a ampliação da relação comercial entre os dois países.

O que o Brics pode oferecer ao Brasil?

Segundo analistas, o Brics pode ser uma alternativa na diversificação comercial, mas os resultados devem aparecer no médio e longo prazo.

Quais empresas brasileiras participam da missão?

Embraer, Weg, Perto, CBC e Tramontina participam de almoço em Delhi para discutir desafios e oportunidades no mercado indiano.

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