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Fila de espera por perícia do INSS é zerada em agosto

ResumoO Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) zerou a fila de espera por perícias médicas em agosto de 2025. O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, anunciou a redução do estoque de pedidos de 3,12 milhões em fevereiro para um fluxo normal de atendimento. Mutirões e telemedicina foram as principais medidas para eliminar o acúmulo de solicitações.

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, anunciou nesta quinta-feira (3) que a fila de perícias do INSS foi zerada em agosto. Medidas como mutirões e telemedicina reduziram o estoque de pedidos de 3,12 milhões em fevereiro para um fluxo de atendimento.

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 03 de setembro de 2026 · 7 min de leitura
Fila de espera por perícia do INSS é zerada em agosto

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, anunciou nesta quinta-feira (3) que a fila de espera por perícia do INSS foi zerada em agosto. A marca foi atingida no mês passado, e o anúncio ocorreu no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A notícia representa uma mudança estrutural no atendimento: deixou de existir uma fila para existir um fluxo de atendimento, como explicou o próprio ministro.

A fila de espera por perícia do INSS foi zerada em agosto, segundo o Ministério da Previdência Social. Desde fevereiro, o número de pedidos aguardando atendimento caiu gradativamente, passando de 3,12 milhões para um patamar em que os novos pedidos superam o estoque. Em agosto, o volume de novas solicitações ultrapassou o número de pessoas na fila, o que, na prática, elimina a espera acumulada.

Como a fila do INSS chegou a zero

A redução da fila não aconteceu de uma vez. Os dados do ministério mostram uma trajetória de queda contínua ao longo de sete meses. Em fevereiro, eram 3,12 milhões de pessoas aguardando perícia, enquanto 1,17 milhão abriram novos pedidos naquele mês. O estoque foi diminuindo até chegar a 1,547 milhão em julho.

Em agosto, o número de novos pedidos superou o de pessoas na fila. "Quando isso acontece, não temos uma fila. Temos um fluxo de atendimento. Deixou de existir uma fila para existir atendimento", disse Queiroz. A comparação usada pelo ministro foi a de uma loja com 12 vendedores e 8 clientes: "Estamos com folga no atendimento por maior que seja a demanda".

O ponto de inflexão é relevante porque muda a natureza do problema. Uma fila indica acúmulo histórico; um fluxo indica capacidade de processar pedidos em tempo real. Para o segurado, a diferença prática é o prazo de resposta.

O que explica a redução na espera da perícia

O Ministério da Previdência atribuiu a melhora a um conjunto de medidas administrativas. A primeira foi a nomeação de novos servidores por concurso público, o que ampliou o quadro de peritos. A segunda foi a expansão da telemedicina: hoje, 865 agências funcionam com recursos de atendimento remoto.

A terceira medida foi a adoção da perícia médica documental. Nessa modalidade, o segurado não precisa ir a uma agência do INSS: basta enviar a documentação comprobatória. O modelo reduz o deslocamento e acelera a análise.

Também entraram na conta os mutirões em fins de semana e o pagamento de bônus para servidores que concluem tarefas acima das metas. Segundo o ministro, o plano de gerenciamento de benefícios foi responsável por 2 milhões de atendimentos adicionais somente em 2026.

O impacto da perícia documental e da telemedicina

A perícia documental é uma das mudanças mais significativas para quem depende do benefício. Antes, era obrigatório comparecer a uma agência, o que gerava custo de transporte e tempo perdido. Agora, o envio de documentos pode ser suficiente, dependendo do caso.

A telemedicina, por sua vez, permite que peritos atendam segurados de regiões distantes sem deslocamento. As 865 agências com esse recurso representam uma capilaridade que antes não existia. Para o segurado, o resultado é uma resposta mais rápida e menos burocrática.

Números atuais de pedidos de perícia no INSS

O INSS recebe, atualmente, cerca de 1,3 milhão de pedidos por mês, o equivalente a 43 mil por dia. "É com esse gigante que lidamos", destacou Wolney Queiroz. O volume diário exige capacidade de processamento constante, e é isso que o novo modelo de gestão busca garantir.

O prazo legal para a decisão sobre a perícia é de 45 dias. O instituto atingiu um tempo médio de 34 dias, abaixo do limite definido por lei. A redução do prazo médio é um dos indicadores mais concretos da melhora no atendimento.

Tempo médio de espera: 34 dias versus 45 dias legais

O cumprimento do prazo legal é um marco. Com média de 34 dias, o INSS opera com folga de 11 dias em relação ao teto de 45. Isso significa que a maioria dos segurados recebe a resposta antes do prazo máximo previsto em lei.

A redução do tempo de espera tem efeito direto na vida de quem aguarda um benefício por incapacidade. Cada dia a menos de espera representa menos tempo sem renda para o trabalhador.

Ainda há casos de espera acima de 45 dias

Apesar do avanço, o ministro Wolney Queiroz e o secretário-executivo da pasta, Felipe Cavalcante, reconheceram que ainda existe um grupo de 224 mil pessoas aguardando o resultado de perícias por prazo superior a 45 dias. São casos específicos e pedidos especiais, segundo as autoridades.

Entre esses pedidos estão os de benefícios de prestação continuada (BPC) e aposentadorias. Esses benefícios envolvem análises mais complexas, que podem exigir documentação adicional ou avaliação mais detalhada.

O governo não informou um prazo para zerar esse grupo residual. A existência desses casos não contradiz o anúncio de fila zerada: o estoque geral foi eliminado, mas situações pontuais ainda demandam atenção.

O que muda para quem precisa de perícia do INSS

Para o segurado que vai dar entrada em um pedido de benefício por incapacidade, a principal mudança é a previsibilidade. Com a fila zerada, o pedido entra em um fluxo de atendimento com capacidade de resposta em cerca de 34 dias.

A recomendação é reunir toda a documentação médica antes de solicitar a perícia. Quem optar pela perícia documental deve garantir que os laudos e exames estejam legíveis e atualizados. Documentação incompleta pode atrasar a análise.

Como funciona a perícia documental na prática

Na perícia documental, o segurado envia os comprovantes sem precisar comparecer à agência. O perito analisa os documentos e decide sobre o benefício. O modelo é mais ágil, mas exige que a documentação seja clara e completa.

Quem prefere o atendimento presencial ainda pode agendar a perícia tradicional. A escolha entre uma modalidade e outra depende do caso e da orientação do INSS no momento do agendamento.

Análise: o que os números indicam para o futuro

A zeragem da fila em agosto é um marco, mas a sustentabilidade do resultado depende da manutenção das medidas que o produziram. A nomeação de servidores e a expansão da telemedicina são estruturais; os mutirões e bônus são medidas de curto prazo.

O volume de 43 mil pedidos diários exige um sistema que processe em tempo real. Se a demanda crescer acima da capacidade, a fila pode voltar a se formar. O governo aposta na combinação de concurso público e tecnologia para evitar esse cenário.

A fala do presidente Lula sobre "humanizar a fila" indica uma preocupação com o tempo de espera do segurado. "O que a gente quer é humanizar a fila. É a pessoa ter o tempo correto de dar entrada, esperar e receber o seu benefício", disse. O desafio, agora, é transformar o anúncio em realidade duradoura.

Perguntas Frequentes

A fila da perícia do INSS foi realmente zerada?

Sim. Segundo o Ministério da Previdência Social, em agosto o número de novos pedidos superou o de pessoas na fila, o que elimina o acúmulo. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (3) pelo ministro Wolney Queiroz.

Qual era o tamanho da fila em fevereiro?

Em fevereiro, havia 3,12 milhões de pessoas aguardando perícia. O número caiu gradualmente até chegar a 1,547 milhão em julho.

Qual é o prazo médio para a perícia hoje?

O tempo médio de espera é de 34 dias, abaixo do prazo legal de 45 dias.

Ainda há pessoas esperando mais de 45 dias?

Sim. Há 224 mil casos com espera superior a 45 dias, em sua maioria pedidos de BPC e aposentadorias, que são análises mais complexas.

O que é a perícia documental?

É uma modalidade em que o segurado não precisa ir à agência: basta enviar a documentação comprobatória. A medida, junto com a telemedicina, ajudou a reduzir a fila.

Quantos pedidos o INSS recebe por mês?

O INSS recebe cerca de 1,3 milhão de pedidos por mês, o equivalente a 43 mil por dia.

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