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FAB se pronuncia após piloto receber má resposta em MG

A Força Aérea Brasileira (FAB) informou nesta segunda-feira (14/9), por meio de nota, que analisa os registros de áudio nos quais um piloto em Minas Gerais ouviu a frase "Você não manda nem em casa, quer mandar aqui?". O episódio ocorreu no último dia 4, enquanto o piloto aguardava uma tentativa de uma controladora de voo de obter uma alternativa melhor de rota. O caso é analisado no Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA).

O avião, com copiloto e passageiro, saiu do Rio de Janeiro e tinha como destino final Varginha, no Sul de Minas. Durante a comunicação com o controle de tráfego aéreo, o piloto questionou a inclusão de um ponto em seu plano de voo que aumentaria o trajeto até a cidade mineira. A controladora explicou que a alteração seria necessária por causa das aeronaves que pousavam no Aeroporto Internacional do Galeão. O piloto, porém, afirmou que havia outras possibilidades de rota e questionou a necessidade da mudança.

O que a FAB e o DECEA dizem sobre o caso

A controladora pediu que ele aguardasse um momento enquanto verificava o que poderia ser feito. Na sequência, outra voz entrou na comunicação e afirmou: "Você não manda nem em casa, quer mandar aqui".

Por meio de nota, a FAB declarou ter "conhecimento da comunicação mencionada e que os registros de áudio da frequência de comunicação utilizada no momento estão sendo analisados tecnicamente".

O DECEA reiterou que "a atuação dos controladores de tráfego aéreo envolvidos ocorre de acordo com os padrões operacionais, de cortesia e de profissionalismo estabelecidos para a prestação dos serviços de navegação aérea no Brasil". O órgão acrescentou que o gerenciamento do fluxo de tráfego aéreo e eventuais alterações de rota seguem critérios técnicos e operacionais, com prioridade para segurança, regularidade e eficiência das operações.

A nota cita ainda a Instrução do Comando da Aeronáutica (ICA) 100-37, que trata dos Serviços de Tráfego Aéreo. Segundo o texto, autorizações e suas alterações podem ser emitidas pelo órgão de controle sempre que necessárias ao gerenciamento do tráfego aéreo, inclusive para evitar possíveis conflitos entre aeronaves.

Como o áudio chegou ao público

A conversa entre a controladora de voo e o piloto repercutiu nas redes sociais e na imprensa graças à jovem Thamiris dos Passos, de 24 anos. Moradora de Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, ela acompanha o canal AVTV, no YouTube, que exibe em tempo real imagens de aeroportos acompanhadas dos áudios das conversas entre pilotos e controladores.

"Como tenho o hábito de escutar, eu sei que a conversa é sempre muito técnica. Mas, nesse dia, eu notei que uma conversa entre um piloto e uma controladora do Galeão estava muito informal. Voltei um pouco a 'live' e entendi tudo o que aconteceu", declarou a jovem nas redes sociais.

Na avaliação dela, o questionamento do piloto foi pertinente. "Na aviação, não há problema em perguntar. Perguntar é essencial. Ele questionou em relação à mudança da rota. Acredito que o piloto foi coerente", afirmou Thamiris, que também citou o canal cobertura de aviação e segurança de voo no Estado de Minas.

O que mudou, do ponto de vista institucional, é que o episódio deixou de ser apenas um trecho de áudio compartilhado em redes sociais e passou a integrar uma apuração técnica formal do DECEA. A FAB não informou prazo para conclusão da análise nem se há previsão de alguma medida administrativa.

Marília Stefani
Repórter de Segurança Pública
De Betim, cobre segurança pública em MG com dado, contexto e cuidado para não alimentar o pânico.
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