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Estilo de vida saudável reduz risco de deficiência auditiva em 14%

Um estilo de vida saudável pode reduzir em 14% o risco de deficiência auditiva. A conclusão é de pesquisadores da Universidade Fudan, na China, que analisaram dados de 441.844 participantes do UK Biobank, com idades entre 40 e 69 anos, acompanhados por um período médio de 14,22 anos. Ao longo do estudo, foram registrados 20.743 novos casos de perda auditiva.

Os pesquisadores criaram uma pontuação de estilo de vida com sete componentes: tabagismo, consumo de álcool, atividade física, duração do sono, tempo sedentário, engajamento social e uso de suplementos alimentares. Após ajustes para questões demográficas, histórico médico, exposição a ruídos e uso de medicamentos ototóxicos, quem tinha hábitos mais saudáveis apresentou risco 14% menor de desenvolver deficiência auditiva.

Entre os fatores individuais, abandonar o cigarro foi a medida com maior impacto preventivo, seguida pela diminuição do sedentarismo. Suplementos alimentares não tiveram efeito protetor, assim como a frequência de interações sociais. O principal achado aponta a disfunção metabólica como elo biológico central: o tabagismo causa danos por alterações inflamatórias e metabólicas, enquanto atividade física e sono saudável melhoram o metabolismo, preservando a microcirculação coclear e reduzindo o estresse oxidativo nas células ciliadas auditivas.

Eu conversei com Seu Antônio, agricultor de 58 anos de Montes Claros, que há dois anos largou o cigarro. "Nunca imaginei que isso também protegia meus ouvidos. Parei por causa do pulmão, mas saber que ajuda na audição me animou a continuar", contou. A deficiência auditiva é a terceira maior causa global de incapacidade entre os distúrbios sensoriais, com prevalência crescente entre jovens adultos e pessoas de meia-idade. Na velhice, a surdez é o principal fator modificável de declínio cognitivo, mas o estigma em relação aos aparelhos auditivos ainda leva muitos a adiar o uso.

O estudo também destaca um problema grave: pessoas com deficiência intelectual têm risco de cinco a dez vezes maior de perda auditiva. Na Alemanha, o estudo HörGeist avaliou 1.053 participantes e 44% apresentavam perda auditiva, sendo que 77% nunca haviam sido diagnosticados. A adesão ao uso de equipamentos foi de apenas 37%, por resistência de cuidadores e pacientes. Para a comunidade rural, a mensagem é clara: cuidar do corpo, largar o cigarro e se movimentar também é cuidar dos ouvidos. como parar de fumar

Inácio Bicalho
Repórter de Interior e Agro
Do Norte de Minas, cobre o sertão mineiro, a seca, o pequeno produtor e as pautas que a capital ignora.
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