Serviços

Escrita terapêutica pode ajudar a reduzir sintomas de depressão

ResumoA pesquisa da Universidade Cornell, com 112 jovens, demonstrou que a escrita terapêutica reduz sintomas de depressão. A prática apresentou efeitos benéficos que persistiram por até dois meses após a intervenção. O estudo oferece evidência de uma ferramenta acessível e complementar para o manejo do transtorno, sem substituir tratamentos convencionais.

Pesquisa da Universidade Cornell acompanhou 112 jovens e apontou que a escrita terapêutica pode reduzir sintomas de depressão, com efeitos que duraram até dois meses.

Vânia Drummond
Vânia Drummond Repórter de Cultura Mineira · 01 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Escrita terapêutica pode ajudar a reduzir sintomas de depressão

A escrita terapêutica pode ajudar a reduzir sintomas de depressão, segundo um estudo da Universidade Cornell, nos Estados Unidos. A pesquisa, publicada no Journal of Consulting and Clinical Psychology, acompanhou 112 jovens de 18 a 29 anos durante duas semanas.

Os participantes escreveram diariamente sobre experiências pessoais, valores e objetivos. O grupo que refletiu sobre a própria trajetória apresentou efeitos que continuaram por até dois meses.

Os pesquisadores dividiram os voluntários em dois grupos. Um escreveu sobre acontecimentos do cotidiano. O outro recebeu perguntas para refletir sobre momentos importantes da vida, identidade, motivações e planos para o futuro.

Os dois grupos apresentaram melhora nos sintomas após os 14 dias. A diferença apareceu no acompanhamento posterior: quem participou dos exercícios de escrita terapêutica voltados para a própria história manteve parte dos benefícios.

A pesquisa também identificou uma percepção mais positiva sobre a própria identidade. Outro resultado foi a redução do chamado "descarrilamento", termo usado pelos pesquisadores para descrever a dificuldade de relacionar acontecimentos do passado, situações atuais e expectativas para o futuro.

Para os pesquisadores, colocar experiências em uma sequência pode ajudar a pessoa a compreender melhor a própria trajetória. Christopher Jeffrey Davis, doutorando em psicologia e primeiro autor do estudo, explica que pessoas com depressão podem ter dificuldade para estabelecer essa conexão entre passado, presente e futuro. Durante a pesquisa, os participantes revisitaram acontecimentos marcantes e pensaram sobre objetivos e perspectivas.

O psiquiatra Daniel Oliva, coordenador médico do Espaço Einstein de Bem-estar e Saúde Mental, do Einstein Hospital Israelita, avalia que construir uma narrativa sobre a própria vida pode ajudar a ampliar a percepção sobre identidade e mudanças pessoais.

Apesar dos resultados, a escrita terapêutica não deve substituir psicoterapia, medicamentos ou outros tratamentos indicados para a depressão. Segundo Davis, o estudo avaliou uma técnica com perguntas específicas e orientação durante o processo. Por isso, os pesquisadores ainda precisam de novos trabalhos para entender como a estratégia pode funcionar em diferentes grupos.

A escolha por adultos jovens também levou em conta as dificuldades de acesso ao atendimento especializado que parte dessa população enfrenta, incluindo questões financeiras.

Escrever sobre acontecimentos difíceis nem sempre traz benefícios. Em quadros mais intensos de depressão, relembrar situações dolorosas sem acompanhamento pode aumentar a autocrítica e o sofrimento. Por isso, especialistas recomendam buscar ajuda profissional diante de sintomas de depressão. A escrita pode fazer parte da rotina de cuidados, mas não deve ser usada como único recurso.

Em situações de sofrimento emocional intenso, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito pelo telefone 188.

// Leia também

Publicidade