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Economista de Flávio Bolsonaro cita Milei como exemplo

Daniella Marques, coordenadora da Economia no plano de governo do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), citou o presidente da Argentina, Javier Milei, como "ótimo exemplo" nesta segunda-feira (14/9). A declaração foi feita durante entrevista coletiva no seminário Brasil Hoje, promovido pelo Esfera Brasil, em São Paulo.

Na mesma fala, Marques defendeu três frentes: revisão de gastos públicos, privatização de estatais e revogação de regras e benefícios tributários. "Milei é um ótimo exemplo em termos de voltar a ter capacidade de investimento, em redução de burocracia e impostos", afirmou.

Próxima ao ex-ministro Paulo Guedes, Daniella Marques presidiu a Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro. A fala sinaliza qual time econômico desenha o programa do candidato do PL, e o que muda em relação ao discurso de anos anteriores.

O que ela disse sobre juros e contas públicas

Sobre a alta na taxa de juros do país, Marques afirmou que o governo precisa ser "responsável com as contas" para dar melhores condições ao Banco Central. A frase que resume a posição: "Quem não cuida das contas, não cuida das pessoas. Então a gente vai focar em botar as contas no azul pra que se permita que haja a redução de juros no Brasil".

O argumento conecta ajuste fiscal a juro menor, receita conhecida de quem acompanha debate econômico há anos. A novidade está em quem assina o discurso: uma ex-presidente da Caixa, banco público, defendendo enxugamento de estatais.

Relações externas e credibilidade

Daniella Marques também defendeu que o país precisa "voltar para a mesa" nas relações externas. Avaliou que o governo atual não tem credibilidade. Não detalhou quais acordos ou fóruns seriam retomados.

O seminário Brasil Hoje, do Esfera Brasil, reuniu em São Paulo nomes do debate econômico. A fala de Marques ocorre no mesmo período em que o STF pauta decisão que Flávio Bolsonaro classificou como "vital para o nosso país", e em que pesquisas Quaest mostram cenário eleitoral em movimento.

Quem acompanha política econômica em Minas sabe que o discurso de ajuste fiscal costuma esquentar em ano eleitoral. A diferença, agora, é a referência externa explícita a Milei, algo que nem todo candidato assume em palanque. cenário eleitoral em Minas

O que muda, na prática, é o tom: menos improviso, mais vitrine de plano. Para o eleitor que decide voto por economia, a pergunta que fica é quais estatais entrariam na lista e quais benefícios tributários seriam revistos. Marques não detalhou nenhum dos dois na coletiva.

Vânia Drummond
Repórter de Cultura Mineira
De Ouro Preto, cobre cultura e patrimônio de Minas, do barroco ao festival de inverno com olhar afetivo.
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