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O custo do excesso de atividades: como afeta você

O custo do excesso de atividades virou tema de análise do professor Carlos Miranda, doutor em engenharia de materiais e professor dos cursos de engenharia do Ibmec BH. Em artigo publicado no O TEMPO, ele aponta que a produtividade, por décadas associada à velocidade, hoje é questionada: o problema não é a falta de atividades, mas o excesso delas.

Calendários lotados, notificações constantes e uma sequência de reuniões transformaram a rotina em sucessão de interrupções. O resultado: profissionais passam o dia trabalhando sem dedicar tempo ao trabalho em si. A reunião corporativa virou símbolo dessa contradição, consumindo tempo e fragmentando a atenção.

O problema não está na existência das reuniões, que são necessárias para coordenar pessoas e decisões. Surge quando elas viram rotina automática: encontros sem pauta, participantes desnecessários, discussões prolongadas e decisões não registradas. Cada interrupção exige que o cérebro abandone uma atividade e recupere contexto, movimento que, repetido, gera fadiga cognitiva e aumenta erros.

Empresas interpretam calendários cheios como engajamento, mas nem sempre são. Em muitos casos, indicam substituição de execução por coordenação excessiva. A transformação digital ampliou o problema: videoconferências tornaram reunir fácil demais, mas facilidade não significa necessidade.

A saída, segundo a análise, está em avaliar quais reuniões realmente precisam acontecer e valorizar clareza e execução. O desafio da gestão moderna passa a ser administrar atenção, não apenas pessoas ou tecnologia. O tempo de concentração humana é limitado, e proteger esse recurso será a vantagem competitiva das empresas.

Marília Stefani
Repórter de Segurança Pública
De Betim, cobre segurança pública em MG com dado, contexto e cuidado para não alimentar o pânico.
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