Crise no STF: fissura insolúvel, diz analista
A primeira sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) após uma plenária marcada por confrontos entre ministros deixou visível uma divisão interna profunda e de solução difícil. A avaliação é da analista de Judiciário do JOTA Flávia Maia, em entrevista ao WW.
Segundo a analista, o dia seguinte à sessão foi de "ressaca" institucional. Os ministros se dedicaram sobretudo a refletir sobre os próximos passos da Corte. "Tinha uma ideia ali na sessão de passar alguma normalidade, mas a gente via que não tinha nenhuma normalidade, o clima estava muito ruim", afirmou Flávia Maia.
O que mudou após a sessão do STF
Entre as preocupações imediatas está uma sessão marcada para o dia 23, que vai discutir a abertura ou não de investigação contra o ministro André Mendonça. Flávia Maia aponta o temor de que o episódio se repita.
"Você tem uma preocupação novamente com esse espetáculo que foi feito, de brigas, um espetáculo muito ruim para a imagem do Supremo, algo nunca visto na história, bem sem precedente mesmo", disse a analista.
Ela descreveu os confrontos da sessão anterior como problemas de decoro entre os ministros, com elevação de tom de voz e acusações mútuas. Para Flávia Maia, o que se viu foi uma "implosão dentro do próprio Supremo", o que torna a composição dos ânimos muito difícil neste momento.
O efeito de longo prazo
A analista alerta que os efeitos da crise vão além do curto prazo. "Tudo se caminha para uma fissura muito difícil de ser recomposta", declarou, acrescentando que é preciso pensar não só no presente, mas também no próximo ano e nos anos seguintes.
Com a perspectiva de que até três ministros deixem a Corte no próximo governo, Flávia Maia questiona como será o convívio entre os integrantes do STF depois dos acontecimentos recentes.
A leitura da analista desloca o foco da sessão isolada para o desenho institucional da Corte nos próximos anos. O debate sobre composição futura e convivência interna entra na agenda ao lado da pauta do dia 23.